Arles: Museus

Pra terminar a saga de posts sobre a semana na Provence (Amém), hoje eu vou contar um pouco dos museus que visitei enquanto estive em Arles. Como comentei no post de pontos turísticos da cidade, eu comprei um passe Avantage e, com ele, pude entrar em todos os monumentos e todos os museus da cidade – com exceção do Arlaten, que está fechado para reformas até 2018 e da Fundação Van Gogh, que não está inclusa em nenhum passe.

Sendo assim, eu pude visitar os seguintes museus:

Musée Réattu

O Museu Réattu é o museu de Belas Artes de Arles, situado em um prédio construído ao final do século XV nas margens do Ródano, e comprado pelo pintor arlesiano Jacques Réattu em 1796 – que o transformou em casa, atelier e laboratório. Transformado em museu em 1868, o prédio conserva a obra e a coleção pessoal de Jacques, bem como 57 desenhos doados por Picasso, além de fotografias, esculturas e croquis de moda.

Não se engane pelas aparências, o Réattu é um museu grande e cheio de coisas interessantes – principalmente o trabalho de Jacques Réattu, os desenhos de Picasso e os croquis de Christian Lacroix (aliás, achei incrível e super diferente encontrar os croquis por lá).

Não diria que é totalmente imperdível, dado que se pode apreciar esse tipo de trabalho em vários outros museus europeus. Mas, estando em Arles e tendo tempo, com certeza vale a pena passar por lá (eu mesma perdi umas horas lá dentro). Fica pertinho das Termas de Constantino e a entrada é feita pela Rue du Grand Prieuré.

Musée Départemental d’Arles Antique

Inaugurado em 1995, próximo dos vestígios do circo romano de Arles, o Museu d’Arles Antique reúne as coleções arqueológicas da cidade de Arles da pré história até o século VI – tudo em um só lugar, como objetos do cotidiano, elementos de arquitetura, mosaicos, sarcófagos, maquetes… Na minha opinião, o Museu d’Arles Antique é o complemento perfeito para as visitas aos monumentos da cidade. Ali é possível visualizar e entender a história da cidade, bem como descobrir mais infos interessantes sobre os monumentos da cidade – como, por exemplo, ver os sarcófagos retirados do Alyscamps.

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Eu tanto gostei que fui lá duas vezes! Na primeira eu fiz o passeio normal pelo museu e, na segunda, eu foquei nas informações do Arles-Rhône 3, um barco que foi retirado das margens do Ródano em 2011.

O barco galo-romano, que provavelmente fazia o caminho entre o norte de Arelate e o Mediterrâneo, naufragou ainda no século I (ano 50 ou 60) e foi recoberto de limo, terra e sedimentos. O barco tem 31m por 3m e é um dos poucos (pouquíssimos) barcos inteiros que foram encontrados, recolhidos, restaurados e, posteriomente, expostos em um museu. Em 2013 o Museu ganhou uma extensão para exibir não só o barco, mas também cerca de 450 objetos que foram encontrados próximos dele e que contam um pouco da história da navegação, do comércio e do porto daquela época.

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Além da exposição, o museu também exibe um filme que mostra todo o processo de retirada do barco da água (pense na idade que esse barco tem e pense como ele é frágil) e depois todo o tratamento que foi feito no barco para que ele não se deteriorasse ao ar livre… Que trabalho incrível! Sério, fiquei pensando na infância e em toda a vontade de ser arqueóloga…. chegou bater uma tristeza.

O museu fica um pouquinho afastado do centro da cidade e dos demais pontos turísticos, mas nada que uma caminhadinha não resolva. Em todo caso, existe um micro-ônibus que faz o trajeto entre o museu e a Gare da cidade, parando em vários pontos do centro da cidade e é gratuito (para mais informações dessa linha, clique aqui)

Musée de la Camargue 

A Camarga (em português) é uma região natural no sul da França, entre os dois braços principais do Ródano e a costa do Mediterrâneo. É um território úmido e salpicado de lagoas, transformado em terreno fértil graças a construção de diques e equipamentos de drenagem. A Camarga é famosa também pela criação de cavalos e touros, os “touros da Camarga”, e também por ter a maior população de flamingos da Europa.

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Fonte: avignon-et-provence.com

O Museu da Camarga fica dentro do Parque Natural Regional da Camarga, em um antigo curral, e foi reaberto em 2013 após um ano de renovação. Se propõem a contar um pouco da história e da cultura desse território, através de imagens, filmes, objetos…

camargue

Dizer que o museu fica num curral não causa uma boa primeira impressão, mas esqueça: o museu é super novo, interativo e o local em que está não podia ser mais típico. Infelizmente eu não pude explorar muito, por questões práticas, e também não vou dizer aqui que fiquei interessadíssima pela cultura do local (mas isso é uma questão bastante pessoal).

O Museu da Camargue fica afastado do centro de Arles e a melhor forma de chegar lá é de carro mesmo. Existe um ônibus que passa do ladinho, O L20 Arles – Saintes-Maries de la Mer, mas na baixa temporada as opções de horário são terríveis (tipo, 3 horários por dia).

***

E como eu comentei no último post, vou deixar também uma dica de hospedagem e alimentação em Arles.

Hotel

Nós ficamos no hotel Le Belvedere, que fica na praça Voltaire, bem pertinho do Anfiteatro. O hotel é bem simples mas os quartos são grandes e bem limpinhos, então não temos nenhuma reclamação. Mas o mais bacana dele mesmo é a localização: é pertinho dos pontos turísticos, é pertinho da Gare de Arles e também é pertinho do Monoprix (que é a salvação se você estiver por lá na baixa temporada, quando nada abre).

Para comer 😉

Esse foi um dos únicos lugares que encontramos aberto na nossa temporada por lá – a Crêperie Chez Mam Goz. O lugar é pequeno simples e, pelo que percebi, é administrado por um casal (que fecha a creperia durante o inverno e só reabre no fim de março). O lugar é bem aconchegante, a comida é muito boa e o atendimento também é bacana. O único ponto negativo é que fica lotado rápido e eles não fazem reservas!

creperia

Uma ~anedota… enquanto jantávamos com um amigo nessa creperia, a trilha sonora era bastante exótica e me fez lembrar daquela música “Jovi, Jová, cada día yo te quiero mas”. Resultado é que eu comecei a cantarolar (e fui alvo de bullying, mas gente…. é um clássico!!!). Depoooois é que eu fui descobrir que os Gipsy Kings – os tiozões do Jovi Jova e do Bamboleooooo – são de Arles =P

Pega na mãozinha e vem!

Só pra recapitular, eu já falei da experiência nada bacana de ficar 1 semana em Arles, falei também da caminhada nos passos de Van Gogh e falei dos pontos turísticos da cidade.

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