Arles: nos passos de Van Gogh

Vincent Willem van Gogh – não me arriscarei nunca a falar seu nome em neerlandês – chegou em Arles em fevereiro de 1888. Encantado pelas paisagens e pela luminosidade, ele esperava fundar uma colônia de artistas na cidade – e somente Gaughin aceitou seu convite para lá se estabelecer. A convivência entre os dois estava longe de ser tranquila e pacífica, e o episódio da orelha aconteceu lá em Arles graças a um desses desentendimentos, em dezembro de 1888.

Apesar de todos esse contratempos, o período que Van Gogh ficou em Arles é considerado o mais criativo e produtivo de toda a sua carreira. Foram mais de 300 quadros, entre eles a série de Girassóis e O Vinhedo Vermelho (único quadro que ele conseguiu vender em vida, por 400 francos).

Já contei por aqui que tenho um apreço enorme pelo Noite Estrelada e que, sempre que existe a possibilidade, eu gosto de visitar museus onde possa ver seus quadros. Já vimos suas obras no  Museu Van Gogh em Amsterdam,no Moma e o MET em Nova York, no Angladon em Avignon, no Musée d’Orsay em Paris…

E por isso o primeiro passeio que quis fazer em Arles foi o passeio “nos passos de Van Gogh”.  Passei no ponto de informações turísticas e comprei o mapa das caminhadas por 1 euro (o mapa está aqui para baixar, é o que se chama Les circuits piétonniers thématiques de la Ville) e comprei um Pass Avantage por 12 euros. Aliás, as opções de passe são uma ótima dica pra quem pretende conhecer muitos pontos turísticos e museus em Arles – contarei mais na semana que vem.

Eu não fiz o passeio assim, do 1 ao 10, eu fui fazendo conforme eu estava próxima das coisas, mas pra facilitar eu vou colocar aqui na ordem. A maioria dos pontos está sinalizada com um totem e a imagem da tela pintada naquele mesmo lugar (mas alguns eu não achei, nem sei ao certo se todos os pontos estão realmente sinalizados)

1) Café le Soir (Setembro de 1888, Place du Forum)

Este café, que Van Gogh pintou em 1888, segue funcionando até hoje – agora com o nome café Van Gogh.

cafelesoir

lesoir

2) Escadaria da Ponte do Trinquetaille (outubro de 1888)

ponte

trinque

3) Noite Estrelada sobre o Ródano (setembro de 1888)

rhone

rodano

4) A Casa amarela

Van Gogh alugou a casa em maio de 1888 e a imortalizou em “La Maison Jaune”. A casa foi bombardeada em 1944. O passeio leva até lá, mas chegando lá eu não consegui achar sequer uma plaquinha no chão indicando onde a casa ficava. Fail.

amarela

5) Arena (outubro de 1888)

arenas

arena

6) O velho moinho (setembro de 1888)

Tentei ir até lá e uma pessoa começou a me seguir, então eu desisti. Fail (mas por minha culpa).

moinho

7) Alyscamps (outubro de 1888)

alyscamps

alys

8) Jardim Público (outubro de 1888)

jardim_2 jardim

jardin

9) O jardim do hospital (abril de 1889)

Esse é o hospital para onde Van Gogh foi levado quando cortou um pedaço de sua orelha e passou 14 dias em recuperação.

hospital_2 hospital

 

hosp

10) A ponte de Langlois aux Lavandières (março de 1888)

Fui até lá, numa boa duma caminhada (não mt agradável, admito) e não encontrei nada. Não satisfeita, perguntei para um morador que estava ali perto brincando com o filho se ele sabia onde estaria a ponte, e ele me disse que na verdade ela fica a uns 3 km ao sul dali (pelo que entendi a ponta foi reposicionada em outro ponto da cidade) O bacana é que o folheto da caminhada não explica esse “pequeno detalhe”. Fail.

bridge

****

Pra resumir, achei a caminhada muito interessante em alguns pontos e um pouco decepcionante em outros, mas eu com certeza recomendo pra quem é fã do pintor. Pra quem não tem muito tempo e quer conhecer só os pontos principais de Arles, dá pra ver alguns pontos dessa caminhada (na Arena e no Alyscamps, mais precisamente), então dá pra aproveitar um pouquinho também. Meu ponto favorito foi o jardim do hospital, com certeza o mais bacana de toda a caminhada.

Pra quem quer complementar o passeio, sugiro também passar na Fondation van Gogh. Eu não fui porque achei a entrada um pouco cara e também porque li que a obra de Van Gogh mais próxima de Arles está em Avignon (nós vimos). Acredito que essa situação vá mudar (se já não mudou) com a abertura da Fondation, um lugar próprio para exibir essas obras.

Matérias bacanas sobre a vida do autor e “teorias da conspiração” sobre assasinato e muchas coisas mais aquiaqui e aqui.

Você também pode gostar de:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *