Arles: pontos turísticos

Arles é uma cidade francesa às margens do Rio Ródano, na região da Provence, e ao norte da região conhecida como Camargue. A importância histórica de Arles está atrelada a sua ligação com o mar Mediterrâneo, entre Itália e Espanha, transformando-a em um importante ponto estratégico.

Arelate, como era chamada, expandiu-se e tornou-se um importante centro cultural e religioso durante o Império Romano. Foram construídos uma série de monumentos, incluindo um teatro e um fórum (que datam do primeiro século antes de Cristo). Durante o século IV, Arles viveu uma segunda época de progresso, sendo a cidade favorita do Imperador Constantino I, que ali construiu os banhos romanos e o cemitério de Alyscamps. Os monumentos romanos e românicos de Arles são Patrimônios da Humanidade desde 1981.

Eu já contei aqui que, definitivamente, não gostei da experiência de passar uma semana em Arles. No entanto, é inegável que a cidade tem uma história e um patrimônio histórico incrível – e pontos turísticos como poucas outras cidades tem. Pra não ficar muito longo o post, vou dividir entre monumentos e museus, começando pelos monumentos.

Para visitar tudo isso e aproveitar ao máximo minha estadia na cidade, eu comprei um passe Avantage no Office de Tourisme no meu primeiro dia em Arles. Também é possível comprar esses passes na primeira atração turística que visitar, não tem necessidade de ir até o Office só pra comprar. Se você tem intenção de conhecer bastante coisas por lá eu acho que qualquer um dos passes super vale a pena.

Passe Avantage: dá direito a entrar em todos os museus da cidade* (Réattu, Musée de la Camargue e Musée Departamental Arles Antique) e mais entrada nos seguintes monumentos: Amphitéâtre, Théâthe Antique, Thermes de Constantin, Cryptoportiques, Alyscamps e Cloîte Saint-Trophime. Valor: € 13,50 normal e €12 tarifa reduzida.

Passe Liberté: com esse passe você pode escolher 5 atrações da listinha acima: 1 museu e 4 monumentos; 2 museus e 3 monumentos; 3 museus e 2 monumentos. Valor: € 9 normal e € 7 tarifa reduzida.

O museu Arlaten faz parte dos passes, mas estará fechado para reformas até 2018. E a Fundação Van Gogh não está inclusa em nenhum dos passes. Mais informações no site Arles Tourisme.

Vamos aos monumentos então?

Amphitéâtre

Construído ao fim do I século, o anfiteatro romano tem 136m x 107m e podia acolher até 20,000 espectadores, que assistiam gladiadores e espetáculos de caça até o final do século V. Durante a Idade Média, o anfiteatro passou a ser usado como uma fortaleza, abrigando 2 capelas e 212 casas dentro de suas muralhas. Em 1825 as casas parasitas foram destruídas, e hoje o anfiteatro é utilizado para touradas.

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De fato, o anfiteatro domina a cena em Arles. Particularmente, eu achei ele muito mais interessante visto por fora do que por dentro. Isso porque, no interior, ficam evidentes as modificações feitas para os espetáculos realizados nos dias atuais (capacidade de 13,000 pessoas), enquanto por fora a gente tem a real sensação de estar contemplando algo muito, muito antigo.

Théâtre Antique

O Teatro Antigo foi construído cerca de 1 século antes do Anfiteatro Romano, no coração da cidade de Arelate e podia acolher 10,000 pessoas em 33 níveis. Durante a Idade Média foi fortificado e, assim como o Anfiteatro, foi coberto de construções parasitas. A função inicial do monumento foi redescoberta ao fim do século XVII e, no século XIX, foram demolidas as construções e o monumento retomou sua função inicial.

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O Teatro Antigo fica bem pertinho do Anfiteatro e está bem menos conservado que seu vizinho.

Cryptoportiques

Como todas as vilas romanas, Arelate possuía um grande fórum, que há muito não existe mais. No entanto, os romanos utilizaram um vasto sistema de galerias subterrâneas para estabilizar o terreno inclinado para a construção do fórum, e estas podem ser visitadas atualmente.

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A entrada para as Cryptoportiques fica no Hôtel de Ville, na Place de la République. As pessoas costumam recomendar que se leve um casaquinho, mas como estava um frio do cão no exterior com um vento de levantar voo, eu achei agradabilíssimo o passeio nas galerias – mas vale ficar atento, que o chão tem umas poças enormes e é bem escurinho lá dentro.

Thermes de Constantin

Características da civilização romana, as termas eram locais públicos muito populares, associados a prática de exercícios físicos e a higiene pessoal, mas também ligados a vida social, servindo como ponto de encontros e trocas (quem acompanhou as reuniões do Rei Ecbert em Vikings?). As Termas de Constantino foram construídas a beira do Ródano no início do século IV, fazendo parte de um complexo de prédios, que aos poucos foi desaparecendo com as invasões bárbaras à cidade. A restauração das Termas data do final do século XIX.

Quem já visitou alguma terma romana (nós visitamos em Baden Baden, veja o post aqui) não vai achar nada de muito incrível nessa. Mas, pra quem nunca visitou, acho que vale a pena, por curiosidade – mas realmente não espere muito além do que ilustrei nas fotos ali de cima.

Alyscamps

No tempo romano, os cemitérios eram sempre instalados no exterior das cidades. A mais célebre necrópole de Arles, Alyscamps, ganhou reputação após a morte do mártir Genesius, o primeiro santo arlesiano, que foi ali enterrado; assim como St. Trophime, o primeiro bispo de Arles. Durante muito tempo o Alyscamps foi um cemitério de prestígio, e corpos de toda a Europa eram enviados a Arles para ali serem enterrados. Em 1040 o cemitério passou a ser um dos pontos de peregrinação na rota de Santiago de Compostela, na Espanha. A Igreja de St. Honorat, reconstruída no século XII, se encontra ao fim de uma avenida de sarcófagos, retratados por Van Gogh e Gaughin em 1888  – mas já comentei da relação de Van Gogh com a cidade nesse post aqui 😉

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O Alyscamps foi, para mim, o lugar mais bacana de todos. Não só pela singularidade, mas também porque eu fiz amizade com um gato assim que entrei no cemitério. Ele nos acompanhou durante todo o passeio – é até difícil selecionar fotos em que ele não aparece.

gato

Até na St. Honorat ele nos acompanhou!

Cloîte Saint-Trophime

O claustro de St. Trophime é contíguo a Igreja, e conta com duas galerias romanas que datam do século XII e duas outras galerias, de estilo gótico, adicionadas no século XIV. Fazia parte de um plano de de reconstrução completa do complexo da Igreja, que se iniciou no final do século XI/início do século XII.

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Enquanto visitei uma equipe de restauradores estava trabalhando no primeiro andar

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Igreja de Saint Trophime

A Igreja de St. Trophime foi erigida em diversas etapas e, o que podemos ver hoje, data principalmente do século XII. A transição das relíquias de St. Trophime para a Igreja se deu em 1152, transformando-a em ponto de partida da Via Tolosana, uma das principais rotas francesas para Santiago de Compostela, na Espanha. O portal da Catedral é uma das mais importantes obras do estilo românico, e foi restaurado nos anos 90.

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Hôtel de Ville e a fachada da Igreja de St. Trophime

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Place de la République

A place de la République fica no centro de Arles, entre a Igreja de St. Trophime, o Hôtel de Ville e a Igreja de Sainte-Anne. Nessa praça podemos encontrar o Obelisco de Arles, construído no século IV no centro do circo romano de Arles. Quando o circo foi abandonado, o obelisco quebrou-se em duas partes e foi reconstruído em 1676 na praça onde está hoje (os leões de bronze foram adicionados no século XIX).

Em resumo…

Arles é uma cidade cheia de atrativos e que, com certeza, vale a visita. Eu recomendaria, fortemente, uma visita a cidade durante o verão, que é o momento em que a cidade ganha mais vida e mais visitas. Em outras épocas do ano, eu sugeriria se hospedar em alguma cidade próxima e fazer um bate-volta em Arles, focando nos pontos principais de interesse.

Em breve volto pra contar sobre os museus e dar uma dica de hospedagem e de alimentação por lá 😉

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