Suíça: Bellinzona

Finalizando as aventuras do final de semana 23 e 24 de agosto, nós paramos em Bellinzona na volta (Como-Lausanne). Bellinzona foi o real motivo pra gente conhecer a parte italiana da Suíça, porque qualquer pessoa que ignore uma cidade com três (3!) castelos medievais – bom sujeito não é.

Bellinzona (Bellenz em alemão) fica estrategicamente posicionada onde o vale se estreita na entrada sul, levando aos passos alpinos de São Gotardo, São Bernardino e Lucomagno, sendo provavelmente a cidade mais italiana da Suíça. A linha do horizonte da capital do Ticino é composta por três dos mais bem-preservados castelos medievais da Suíça, todos figurando como Patrimônio da Humanidade da UNESCO. My Switzerland

O conjunto fortificado de Bellinzona é um exemplo único de arquitetura européia erguida em defesa de uma estrutura feudal e de uma entrada estratégica para os Alpes. O conjunto é composto por três castelos, um muro (que antigamente fechava todo o vale Ticino) e muralhas que protegiam os habitantes da cidade. Estudos mostram que Bellinzona foi um posto avançado romano, que servia como defesa contra os povos da Europa Central; com o declínio do Império Romano, a área caiu nas mãos dos ostrogodos, dos bizantinos, e finalmente dos lombardos.

O Castelgrande, maior dos três castelos, data do século X, quando Bellinzona estava sob a posse de Otto I, fundador do Sacro Império Romano. No século XII, sob a posse de Frederick Barbarossa, a cidade cresceu em torno da fortificação, que foi aprimorada. O castelo de Montebello foi construído por volta de 1300 e incorporado nas fortificações, e o castelo Sasso Corbaro foi construído em 1480 (não fazia parte da fortificação da cidade, mas defendia um ponto de aproximação vulnerável).

***

Duas coisas acabaram atrapalhando a nossa visita a Bellinzona: nós atrasamos nossa saída de Como pra poder fazer o passeio de barco; e o trem de Como pra Chiasso atrasou quase 30 minutos, estragando toda a nossa delicada trama de transporte. Nos nossos planos ficaríamos 5 horas em Bellinzona, mas graças a esses dois atrasos, ficamos só 3h30 (tínhamos que sair de Bellinzona às 18h, no máximo, caso contrário ficaríamos sem transporte pra chegar em casa).

Como o comércio na Suíça fecha aos domingos, a cidade estava bem “morta”. Eu sou bem a favor de fechar o comércio no domingo, mas depois de sair de Como, que estava fervilhando de turistas e super animada, chegar em Bellinzona e encontrar a cidade vazia foi meio decepcionante. Como tínhamos pouco tempo resolvemos ir direto aos castelos, o real motivo da viagem.

O primeiro deles, o Castelgrande, fica no centro da cidade e pode ser alcançado com uma caminhadinha rápida a partir da Estação. É um pouco difícil não perceber onde ele está, porque ele realmente domina a cidade. Chegando lá, a gente encontrou um túnel que acabava num elevador e, com um pouco de desconfiança, subimos. Lá em cima encontramos o ponto de informações, onde pegamos um mapa e compramos nossas entradas.

2014-08-24 14.34.58

A questão das entradas é a seguinte: elas dão acesso aos museus dentro dos castelos. No Castelgrande, você pode conhecer muita coisa sem precisar pagar, e também no Montebello; mas no Sasso Corbaro não tem como subir sem ter o ingresso (porque a subida passa pelo museu). Então a gente resolveu comprar a entrada pra tudo de uma vez, e assim poder explorar todos os lugares sem preocupação (pagamos CHF 7,50 cada um, com desconto pra estudante – a entrada individual pro Sasso Corbaro custava CHF 5).

Já o transporte funciona assim: você pode ir a pé, e a moça do ponto de informações rabisca no mapa o melhor caminho; ou então você pega um trenzinho que parte do centro e vai até lá em cima e custa CHF 10 cada um. Nós não achamos caro, mas o problema do trenzinho é que você fica dependente do horário dele, e ela nos deu a entender que só teríamos 15 minutos em cada castelo indo com o trenzinho. Na dúvida, a gente resolveu ir a pé mesmo, assim a gente tava livre pra controlar nosso próprio tempo.

No Castelgrande nós assistimos um filme de 15 minutos sobre a história dos castelos, exploramos rapidamente os museus e em seguida partimos explorar as muralhas e torres – Torre Branca e Torre Preta.

2014-08-24 15.13.41 2014-08-24 15.15.26 2014-08-24 15.19.35 2014-08-24 15.22.47 2014-08-24 15.23.51

O castelo é sensacional – e a posição dele sobre a cidade é soberba. Do Castelgrande já dá pra enxergar os outros dois castelos, e fazer fotos incríveis (aliás, o que mais dá pra fazer lá é fotos incríveis).

2014-08-24 15.22.06Montebello e Sasso Corbaro

Não conseguimos explorar o Castelgrande com muito afinco porque não sabíamos quanto tempo demoraríamos pra chegar aos outros 2 castelos, então partimos em direção ao Montebello. Agora pense que tava calor, muito calor, e a gente tava caminhando morro acima no sol e com mochila nas costas. Foram só 20 minutos de caminhada, mas chegamos no Montebello num estado lastimável.

2014-08-24 15.47.00

“Se prefeita de Bellinzona eu fosse, um teleférico eu faria.”

Eu precisei passar no banheiro recobrar a dignidade e quase esqueci meus óculos lá, de tão cansada que eu estava. Passamos rapidamente pelo museu do castelo e depois seguimos conhecer a construção.

2014-08-24 15.50.56 2014-08-24 15.55.20 2014-08-24 15.59.18Espiando o Sasso Corbaro

2014-08-24 16.11.22 2014-08-24 16.12.50 2014-08-24 16.14.06 2014-08-24 16.18.35Castelgrande

2014-08-24 16.21.05 2014-08-24 16.22.55

Eu tava só a carcaça e só tínhamos mais 1h30 na cidade, então decidimos não subir ao Sasso Corbaro. Passeamos mais um pouco no Montebello… mas aí eu pensei: não vou me perdoar por estar tão perto e não subir. E lá fomos nós! A subida do Montebello pro Sasso Corbaro passa por uns quintais e lugares estranhos, mas a vista é sensacional: dá pra fazer fotos ótimas do Montebello conforme você vai subindo.

2014-08-24 16.35.06 2014-08-24 16.43.46Uma pequena parte do caminho, já chegando no castelo

2014-08-24 17.27.02 HDRMontebello

 

Chegamos no Sasso Corbaro em 25 minutos, porque apesar de tudo, conseguimos subir num ritmo incrivelmente bom. O esquema é o mesmo: pura subida, muito sol na cabeça, nuca queimada, mochila nas costas, roupa nada adequada e apertando o passo em função do tempo. A sorte é que no caminho a gente encontra várias fontes com água potável pra encher as garrafas e se refrescar, porque 500 ml não deram nem pros 5 primeiros minutos.

Eu cheguei lá me arrastando e completamente acabada – e quase comemorei igual o Rocky Balboa, porque o clima de superação estava no ar. Lá, a gente fez a mesma coisa: passeamos rapidamente no museu e depois fomos passear nos muros. O Sasso Corbaro é o menor e mais simples dos 3, mas vista de lá de cima compensa todo e qualquer esforço!

2014-08-24 16.47.50 2014-08-24 16.58.02 2014-08-24 16.59.17 2014-08-24 16.59.38 2014-08-24 17.00.04Montebello e Castelgrande

2014-08-24 17.00.14

Depois, descemos diretamente em direção a Gare, e ainda chegamos 10 minutos adiantados. O que eu posso dizer é que valeu muito a pena ter conhecido os três castelos e o passeio foi incrível mas, definitivamente, 3h30 é muito pouco pra fazer tudo isso – eu não recomendo que ninguém faça o mesmo. Nós visitamos tudo o que queríamos, mas nos museus conseguimos dar uma passada de olhos só. Quando eu pesquisei sobre a cidade eu não encontrei informações muito boas e que me dessem uma ideia precisa de como as coisas funcionam lá, e inclusive uma pessoa disse que 3 horas na cidade eram suficientes pra fazer tudo! Se a sua intenção é só dar uma passada de olhos na paisagem e visitar o Castelgrande, 3 horas são mesmo suficientes, e talvez se você usar o trenzinho também seja ok. Mas se você quer explorar os 3 castelos com tranquilidade (e também o caminho entre eles),  se programe pra ficar mais.

É uma pena que o transporte de Lausanne pra lá seja tão zoado, porque senão eu queria ir muitas vezes: na primavera, no inverno, no outono, agora mesmo…

Considerações sobre o transporte:

Quando a gente programa uma viagem e busca as opções de transporte no site da CFF, geralmente ele sugere itinerários com poucos minutos de troca (mais de 5 minutos a gente já considera tempo com folga). E, depois de 2 anos aqui, você aprende a confiar nesses itinerários porque tudo é muito pontual (quando fomos pro aeroporto de Zurique, em abril, nós tínhamos trocas de 2 min, e deu tudo certo). Mas ultimamente a gente está percebendo que não dá mais pra confiar nessa pontualidade e nesses itinerários “apertados”. Só nesse final de semana em Lugano-Como-Bellinzona nós pegamos 4 trens atrasados (e não estou contando o trem italiano). A volta pra casa foi um inferno: o trem Luzern-Lausanne atrasou e nos fez perder o trem Lausanne-Renens, então pegamos o próximo, que também atrasou e nos fez perder o ônibus. Nessa brincadeira nós chegamos mais de 1 hora depois do esperado em casa. Enfim, o serviço continua sendo muito bom, mas agora a gente está com um certo pé atrás e evitando itinerários com trocas de pouco tempo.

Você também pode gostar de:

1 Comentário

Deixe uma resposta para Itália: Como / Lago di Como - Gnomonique Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *