Lausanne: Catedral de Lausanne

Atualizado em set. 2016

A Catedral de Lausanne é a maior construção de estilo gótico de todo o país. Ocupa o alto de uma colina que abrigou diversos templos religiosos ao longo dos séculos. Foi construída em diversas etapas e em pedra molassa, entre os anos de 1170 e 1235. Os primeiros trabalhos foram efetuados em estilo românico, que rapidamente foi substituído pelo estilo gótico. Jean Cotereel, o terceiro mestre de obras, adicionou um enorme muro ocidental com um portal e duas torres, uma abrigando o campanário, enquanto a outra permanece incompleta. Em 1275 a Catedral foi consagrada a Nossa Senhora pelo Papa Gregório X, na presença do Imperador Rudolph I.

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Vista a partir da ponte Bessières

Durante a Idade Média existia uma passagem para pedestres que atravessava a Catedral transversalmente. Isso porque a Praça em frente a Catedral ainda não existia, e a Catedral dominava o topo da colina. Um pouco antes da Reforma essa passagem foi fechada, mas ainda é possível perceber traços de sua existência na arquitetura da Catedral. Também durante essa época a Catedral era visitada por milhares de peregrinos (estima-se cerca de 70 mil peregrinos por ano), que buscavam orar em frente a uma imagem da Virgem Maria, feita em prata e ouro.

Em 1536, com a chegada dos berneses e da adoção da Reforma Protestante, a igreja foi dedicada ao culto calvinista e despojada de muitos de seus elementos decorativos próprios do catolicismo e nomeada Catedral de Lausanne. Paredes foram pintadas, claustro e mobiliário foram destruídos, e muitos dos adornos, incluindo a imagem da Virgem, foram derretidos para fazer moedas. De todo o tesouro da Catedral, muito pouco resistiu e está exposto no Museu Histórico de Berna.

Em 1874,  foi restaurada sob a supervisão do famoso arquiteto francês Eugene Violet-le-Duc. Entre 1890-1910, um novo esforço de restauro seguindo os planos de Viollet-le-Duc se sucedeu, bem como diversos trabalhos de restauração no século XX. Um novo período de restaurações se iniciou em 2010, com previsão de fim para 2015, ao custo de 20 milhões de francos (estamos em setembro de 2016 e os trabalhos de restauro seguem a todo o vapor).

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A entrada lateral, que na época das peregrinações era a entrada principal da catedral (os peregrinos entravam, passavam pelo altar, saíam do outro lado, passavam por um convento, entravam novamente na Catedral e finalmente chegavam na Capela da Virgem Maria) hoje está fechada para proteger as esculturas das intempéries. As esculturas do lado esquerdo representam o Antigo Testamento e as da direita o Novo Testamento. No centro, vemos a Dormição, Ressurreição e Coroação de Maria, além do anjo. É interessante notar que as estátuas possuem o nariz quebrado, uma forma simbólica de tirar a vida, impedir de respirar, desonrar (um possível hábito de conquistadores que podem ser conferido também na esfinge de Gisé e em diversas estátuas romanas), uma consequência da invasão de 1536.

A Rosa da Catedral de Lausanne

Criada no início do século XIII pelo mestre vidreiro Pierre d’Arras, a rosa na empena sul do transepto é uma das obras-primas do patrimônio artístico europeu: seus vitrais expressam uma visão medieval do mundo, mostrando, em torno da figura de Deus, a criação operada por Ele e ofertada aos homens.

A rosa é composta de 108 vitrais e tem cerca de 2/3 dos vitrais originais.

Sagitário

A imagem abaixo (recriada a partir de uma imagem presente em um folheto explicativo da Catedral)  demonstra todos os temas representados no mural com a sua localização. Se clicar na imagem ela fica maior.

O órgão

O órgão da Catedral de Lausanne foi inaugurado em 2003, depois de 10 anos de trabalho e um custo de cerca de cinco milhões de francos (um dos mais caros do mundo).  Possui cerca de 7000 tubos e é o primeiro órgão a possuir os quatro principais estilos (clássico e sinfônico francês, barroco e romântico alemão). Também foi o primeiro órgão do mundo projetado por um designer (Giugiaro) e o primeiro a ser construído em uma catedral européia por uma empresa americana, a Fisk.

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Torre da Catedral

Além de visitar a Catedral, também é possível subir na torre (assim como em várias outras catedrais suíças). Custa CHF 4 por pessoa e a subida é tranquila, com paradas intermediárias e degraus mais largos. A vista lá de cima é ótima, mas só recomendo subir se o tempo estiver bom.

A Catedral de Lausanne mantém a tradição do guet, o vigia que era encarregado de observar a cidade do alto para detectar incêndios e ameaças, bem como avisar a hora. Atualmente, o guet grita as horas nos quatro lados da torre, entre 22h e 2h, todas as noites do ano.

“C’est le guet, il a sonné dix…”

Ele é o último guet em ‘operação’ na Suíça, o que sempre chama a atenção em documentários e materiais turísticos sobre Lausanne. Inclusive, quem assistiu o Globo Repórter da Suíça, que passou em outubro de 2015, viu dona Glória Maria entrevistando o atual guet da catedral.

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Como chegar

Partindo do centro da cidade, a Catedral tem acesso super fácil pela Place de la Palud através de uma escadaria, “Escaliers du Marché”, e também pela Place de la Riponne. De metrô,  a parada da Riponne e a Bessiéres ficam perto (Bessiéres fica mais perto). A partir da gare de Lausanne é só pegar o metrô M2 na direção Croisettes.

A partir da Catedral é possível acessar outros pontos turísticos da cidade, bem como ter uma ótima vista de Lausanne e das montanhas (sempre que o tempo colabora). O museu de Design e Arte Contemporânea, bem como o Museu Histórico de Lausanne se encontram bem do lado da catedral.

Horários de visita

De segunda a sexta, das 7h às 19h (entre outubro e março fecha às 17h30)

Sábado e domingo: das 8h às 19h

Entrada gratuita

Site oficial: http://lacathedrale.eerv.ch/

Curiosidade

Aqui em Lausanne, as pessoas comemoram o réveillon na frente da Catedral. Quando chega a meia noite, a Catedral se ilumina de um jeito um pouco bizarro, como se estivesse pegando fogo, e os sinos tocam por 15 minutos. E as pessoas ficam ali, com -2º congelando a mão numa taça de champagne.

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Antes da meia noite…
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Meia noite…

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2 Comentários

  1. Excelente! muito embora nada supera o encanto do “ao vivo”, mas dá pra ter uma ideia. Gostei muito da informação histórica.

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