Chocolates Suíços e a Maison Cailler

A origem do chocolate, obviamente, não é Suíça. O lar original do cacau é a América do Sul, e o “crédito” por levar o cacau da América do Sul para a Europa é do conquistador Hernán Cortéz. Ele chegou ao México em 1519 e foi recebido pelo Imperador Montezuma, dos astecas. O Imperador bebia uma bebida especial, com sabor forte, que Cortéz apreciou muito. Quando retornou a Espanha em 1528, Cortéz levou grãos de cacau para o rei e, percebendo o seu alto valor, decidiu plantar esta árvore em ilhas tropicais que tinha capturado. Logo o chocolate tornou-se uma bebida famosa na Espanha, onde era ingerida inicialmente somente pelos ricos. Durante cerca de 100 anos a Espanha teve o monopólio do comércio de grãos, graças as plantações de Cortéz.

No entanto, a bebida começou a ficar conhecida em outros países da Europa, que passaram a ter as suas próprias plantações nas suas colônias. A partir de 1700, o chocolate tornou-se uma bebida popular, e não mais um privilégio dos ricos, e a produção de chocolate foi crescendo em países como a Inglaterra e a Holanda. Mas e onde entra a Suíça nessa história toda?

Em 1819 um suíço, chamado François Louis Cailler abriu a primeira fábrica de chocolate suíça. Mas o grande passo para o chocolate suíço se deu em 1875, quando Daniel Peter, genro de Cailler, resolveu adicionar leite ao chocolate – e assim foi criada a primeira barra de chocolate ao leite para ser consumida como sobremesa.

O que levou o chocolate Suíço ao posto que ocupa hoje, foi a transformação de uma simples produção em uma arte. As primeiras fábricas de chocolate de renome surgiram na Suíça, e a adição de ingredientes finos, os avanços tecnológicos, a competição entre essas marcas e a paixão dos suíços pelo chocolate elevaram o chocolate suíço ao posto de melhor chocolate do mundo.

No entanto, não é só o sabor especial que garantiu a Suíça este posto. Existe também todo um trabalho de construção de uma imagem de produtos de qualidade superior, motivada tanto pelas empresas quanto pelo país. O produto é tão importante para a economia Suíça que o governo estabeleceu, ainda em 1901, a Associação de Produtores de Chocolate, Chocosuisse, para promover o chocolate suíço e garantir um padrão de qualidade.

A visita a Maison Cailler

Um dos passeios turísticos mais famosos aqui na Suíça é conhecer a fábrica de Chocolates Cailler, que foi comprada pela Nestlé (empresa também Suíça).

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O passeio na Maison Cailler custa 12 francos (grátis pra quem tem Swiss Pass), e dura cerca de 1 hora. Na bilheteria você recebe um número de “chamada”, que serve para estabelecer a ordem de entrada na exposição. Nós estávamos em 3 pessoas então recebemos o mesmo número e fizemos o passeio juntas. Antes de entrar na exposição você pega o seu Chocoguide – um audioguia simpático – que vai te acompanhar por toda a exposição (porém, não existe a opção português).

Assim que chegar a sua vez, uma atendente chama pelo número e leva até o início do passeio. O passeio começa contando a história do chocolate ainda lá com os Astecas e vai evoluindo até a fundação da Maison Cailler. Você vai passando por diferentes salas que contam essa história, cheias de sons, luzes, imagens e, inclusive, aromas. Depois você sai em uma área onde estão expostos diferentes ingredientes utilizados nos chocolates Cailler, e pode acompanhar a produção dos chocolates, que é toda automatizada (e pode provar os chocolates recém feitinhos). No final, você passa por uma sala de degustação onde estão expostos diversos chocolates Cailler e você pode comer a vontade e sem pressa – e tbm sem água =P

Saindo da sala de degustação você volta pra recepção do passeio, que na verdade é uma grande loja da Cailler.  Perto da estação de trem Broc Fabrique tem uma loja da Nestlé, onde também dá pra comprar chocolates Cailler.

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De qualquer forma é um passeio super interessante, porém mais interessante ainda pra quem é chocólatra. O custo do passeio é baixo (acho que vale totalmente os 12 francos), e eu acredito que vale muito a pena combinar com um passeio em Gruyères, que fica a menos de meia hora de Broc. É um passeio tipicamente suíço, e como as pessoas tem essa imagem de “Suíça país do chocolate”, acaba sendo uma forma super bacana de vivenciar um pouco mais a cultura do país – e se embugar de chocolate.

Como chegar

O ponto de partida para esse passeio é a estação de Broc Fabrique (caminhadinha de 5 minutos e você chega na Maison Cailler).

  • Lausanne – Broc Fabrique (via Romont-Bulle): CHF 56 ida e volta, 2º classe
  • Lausanne – Broc Fabrique (via Montbovon): CHF 62, ida e volta, 2º classe
  • Zurique – Broc Fabrique (via Bern-Bulle): CHF 146, ida e volta, 2º classe
  • Bern – Broc Fabrique (via Bulle): CHF 66, ida e volta, 2º classe

Update!

Update do post em 27 de abril de 2016: eu voltei a Maison Cailler recentemente e as coisas mudaram um pouco por lá. Na minha primeira visita, em 2013, não eram disponibilizados audioguias, então existiam horário de tours em diferentes línguas e você precisava se adaptar aos horários oferecidos. Com certeza o sistema de audioguias melhorou muito o passeio, já que na baixa temporada você chega lá e o passeio começa rapidinho (sem contar que se você viaja em grupo todos podem fazer o passeio juntos e ainda assim escolher idiomas diferentes). Porém,  acredito que na alta temporada deve rolar um certo tempo de espera.

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