Lausanne: Coleção de Arte Bruta

Como eu comentei no post da Nuit des Musées, meu museu favorito em Lausanne é a Colection de l’Art Brut. Nós visitamos o museu ainda no ano passado, mas não conseguimos ver tudo – então aproveitamos a Noite dos Museus pra voltar lá e ver o que faltava.

A expressão Arte Bruta foi criada pelo pintor francês Jean Dubuffet (1901-1985), com o objetivo de caracterizar o trabalho produzido fora do sistema tradicional e profissional de arte. O conceito pretendia englobar produções diversificadas realizadas por crianças, por doentes mentais e por criminosos, sem nenhum treinamento formal, que apresentam em comum um caráter espontâneo e imaginativo.

reinhold
El ingenioso Hidalgo don Quixote de la Mancha – Metz, Reinhold

Em 1947, Dubuffet apresentou sua coleção de Arte Bruta ao público pela primeira vez, em Paris. A partir de 1976 a coleção foi transferida para Lausanne, no Château de Beaulieu.

O museu possui cerca de 60 mil obras, sendo que 700 estão expostas. Cada autor tem uma breve biografia (francês e inglês) ao lado das obras. Na minha opinião, a parte mais interessante do museu é ficar lendo sobre a vida dos autores pra entender um pouquinho mais do trabalho e das inspirações deles. E é por isso que eu demoro muito toda vez que vou lá. Você começa ler as histórias – que são tão interessantes, tão diferentes – e quando vê o tempo voa!

Eu recomendo demais a visita a esse museu. Não só porque é muito interessante, mas também porque é muito diferente de outros museus que você vai encontrar pelo mundo afora. E se você não tá planejando uma viagem mas ficou curioso, o site do museu disponibiliza essas pequenas biografias dos autores juntamente com algumas imagens das obras, então super dá pra matar a curiosidade! É só clicar aqui.

E sabiam que tem até autor brasileiro? As obras de Antonio Roseno de Lima fazem parte da exposição “Arte Bruta no Mundo”. Antonio nasceu em 1926, no Rio Grande do Norte, em uma família muito modesta. Começou a trabalhar muito cedo produzindo gaiolas e objetos de madeira, e, depois de oito anos de casamento deixou a família e foi tentar a sorte em São Paulo. Em 1961, ele começou um curso de fotografia, iniciando sua carreira de fotógrafo profissional. Sem dinheiro, mudou-se para a favela Três Marias em 1976, onde viveu até a sua morte em 1998. Ele pintava todos os dias usando materiais simples, retratando animais, plantas e objetos. Em 1998, grande parte da sua obra já estava em mãos de colecionadores, e o restante foi jogado fora, pois sua família encarregou a prefeitura de limpar a casa onde ele vivia.

antonio
Bebado – Antonio Roseno de Lima

Infelizmente não é possível fazer fotos no interior do museu (nem com bolsa dá pra entrar!), mas encontrei um videozinho bem curtinho que mostra um pouquinho do interior. Pra ver, é só clicar aqui.

O museu fica aberto de terça a domingo, das 11h às 18h (julho e agosto aberto também as segundas). A entrada para adultos custa CHF 10 e para estudantes CHF 5, e o museu tem entrada gratuita no primeiro sábado do mês. Dá pra chegar lá com os ônibus 2, 3 e 21, e o nome da parada é Beaulieu-Jomini.

Você também pode gostar de:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *