Espanha: Toledo

Quando fomos pra Madrid a ideia era simplesmente conhecer Madrid, afinal de contas, um finde não é suficiente pra conhecer uma cidade grande. Mas acabou que conseguimos fazer tudo o que eu tinha planejado no sábado, e ficamos com o domingo livre. Podíamos ter explorado mais Madrid, é claro, mas ficamos com vontade de fazer algo diferente. Nessa hora eu pensei em ir pra Ávila, mas depois de uma pesquisa bem rápida mudamos de ideia e pensamos em ir pra Toledo.

Levantamos cedinho e fomos pra estação Atocha. A maioria das pessoas recomenda planejar o seu passeio a Toledo com antecedência  – e tá certo! Não conseguimos comprar passagem pro primeiro trem, mas conseguimos pro seguinte (por isso matamos um tempo no Museu Nacional de Antropologia). Gastamos 40 euros para 2 pessoas ida e volta com a Renfe. Não diria que é caro, mas barato tbm não é.

O trem é super confortável –  tipo, o melhor trem que já viajamos – e em meia hora já estávamos em Toledo. Como nós ainda queríamos passar no Reina Sofia, programamos uma tarde em Toledo, pra voltar a tempo de conhecer o museu em Madrid. Então esse não foi um passeio nos moldes dos nossos outros passeios, esse foi mais uma ‘caminhada ligeiramente apressada nos pontos principais’.

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Na estação mesmo já compramos um mapa e embarcamos no ônibus que leva para o centro da cidade histórica (2,50 por pessoa). Acredito que valha a pena também pegar táxi, porque os taxistas fazem um preço fixo baratinho pra te levar até lá em cima. O que não vale mesmo é subir a pé, principalmente se você tem pressa. Já no ônibus a gente teve uma visão do que é Toledo: uma cidade medieval, murada e Patrimônio da Unesco.

A estratégica localização sobre um promontório rochoso mirando o Rio Tejo sempre fez de Toledo objeto de cobiça. Ali os romanos construíram uma fortificação e os visigodos fixaram sua capital. Mas muito além de conquistas e lutas sangrentas, a história de Toledo é calcada na prosperidade e no convívio pacífico entre muçulmanos, judeus e cristãos. Essa tolerância, fortemente patrocinada por monarcas como Afonso X, promoveu o desenvolvimento de escolas de intelectuais e criativas oficinas de artesãos. Com a conclusão da Reconquista, em 1492, e a remoção do centro do poder para Madri, esse período de ouro chegou ao fim. No entanto, os encantos da cidade, com seu dominante Alcázar e deslumbrante Catedral, tomaram de vez o espírito do pintor cretense Domenikos Theotocopoulos, El Greco, cujas preciosas obras podem ser apreciadas por todo lado. A Cidade das Três Culturas resiste como um museu ao ar livre, calma e melancólica, vendo as águas passarem aos seus pés. Viaje aqui

Chegando lá em cima o ônibus nos deixou ao lado do Alcázar de Toledo. Na colina mais alta da cidade, o Alcázar foi construído por ordem do Imperador Carlos V, para ser uma residência digna de monarcas (neste mesmo local havia um edifício romano, do século III). Teve diversos usos e passou por incêndios e destruição quase total em 1936, sendo reconstruído a partir de 1940. Hoje abriga o Museu do Exército e a Biblioteca de Castilla de la Mancha.

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Dali partimos em direção a Catedral de Toledo, nosso principal ponto de interesse. Escolhemos uns caminhos muito loucos seguindo o nosso mapinha, mas chegamos lá com facilidade (graças ao mapa, tenha um! não importa se físico ou no celular, um mapa em Toledo é essencial).

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A Catedral de Toledo foi construída entre 1226 e 1493 em estilo gótico, e possui um conjunto de obras invejável, contando com El Greco, Goya e Caravaggio, entre outros. Queríamos muito entrar, mas ela abre em horários específicos e ainda faltava um bom tempo pra ela abrir (no domingo ela abre só a partir das 14h).

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Nesse caso, seguimos com o passeio e voltamos pra perto do Alcázar, pra fazer umas fotos da vista lá de cima.

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Continuamos nossa caminhada procurando por mais pontos interessantes. Nosso mapa era bem fajuto e só mostrava quais os pontos de cidade que eram interessantes, mas falhava em especificar o que encontraríamos nesses pontos. Resultado: caminhamos mais, encontramos outros pontos, mas não exatamente aqueles mais importantes. Acontece, né!

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Miguel de Cervantes

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Encontramos muitas lojas de espadas e artigos medievais, que são bem tradicionais da cidade. Não entramos em nenhuma simplesmente pra evitar a tentação de querer comprar tudo!

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Em determinado momentos nós cansamos de procurar por coisas sem saber o que elas eram, e resolvemos voltar a pé pra estação de trem, fazendo o mesmo caminho que o ônibus fez na subida. Fomos em direção a Puerta Nueva de Bisagra, uma porta de origem muçulmana, por onde entramos na cidade com o ônibus. No caminho, passamos pela Puerta del Sol e conseguimos uma vista linda da cidade.

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muros

portal
Puerta del Sol
porta
Puerta Nueva de Bisagra

entrada No final das contas, Toledo nos encantou pelo conjunto da obra. É uma cidade muito bacana, com um visual lindo, e mesmo uma caminhada aleatória oferece belas paisagens e lindas fotografias. É claro que o melhor é fazer tudo com calma e aproveitar tudo que a cidade tem pra oferecer, culturamente falando, mas mesmo uma escapadinha e uma caminhada despretenciosa já valem a pena. Como era domingo, a cidade estava lotada de turistas – mesmo.

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Preciso contar que teve uma coisa me incomodou muito – demais mesmo: mesmo naquelas ruelas estreitas de dar dó, não paravam de passar carros! Eu não sei se todo dia é assim, ou se no domingo o trânsito lá é liberado, só sei que foi o primeiro centro histórico com trânsito que encontramos. Em certos momentos os pedestres precisavam se grudar feito lagartixas nos muros pra não serem atropelados, e um carro não passou por cima do meu pé por centímetros! Achei tenso, achei desrespeitoso, achei perigoso… ainda mais numa cidade borbulhando de turistas!

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Essa é a vista da cidade, já chegando pertinho da Estação. Toledo não foi a minha cidade favorita em termos de ‘arquitetura medieval’, mas com certeza foi a cidade que passamos que mais vive e ‘respira’ desse ar! Pra quem quer visitar a cidade com mais calma, uma busca básica no google já indica vários blogs com as dicas de quais os pontos mais bacanas da cidade pra se visitar.

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Na tentação de pedir uns Lembas 😉

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