França: roteiro de 1 dia em Avignon

A primeira parada da nossa semana na Provence foi em Avignon, a cidade dos Papas. Saímos com o TGV de Genebra, e demoramos quase 4 horas pra chegar em Avignon. Eu esperava que o caminho fosse mais bonito, ou pelo menos mais rápido, mas a viagem não foi de todo desagradável. O TGV vai para uma estação mais afastada da cidade, e aí tem que comprar passagens e pegar outro trem para ir até a gare d’Avignon Centre (€1,60 por passagem).

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Chegamos em Avignon perto das 16h e fomos direto pro hotel largar nossa mala e as mochilas. Ficamos em um hotel extremamente bem localizado, mas bem bizarro também. Aliás, o hotel era bem ruim, mas a gente até achou a experiência divertida, porque em alguns aspectos o hotel lembrava casa de vó (uma casa antiga de madeira, tipo casa de interior). De qualquer forma, a cidade é minúscula, então o melhor mesmo é pegar um hotel no estilo IBIS perto da estação de trem e caminhar um pouquinho pra ir pro centro.

Nesse primeiro dia estava chovendo um pouquinho, então a gente deixou o turismo pra lá e ficamos passeando pelas lojas, na Rue de la Republique, e também por ruelas menores perto da Place de l’Horloge. Foi a melhor coisa que a gente podia ter feito! Nós fizemos um passeio bem agradável, compramos algumas coisinhas… mesmo sendo pequena, Avignon tem um comércio bem bacana (tem até Amorino!). A cidade estava cheia de gente, comércio aberto, muitas opções de restaurantes… só estranhamos mesmo a quantidade absurda de gente pedindo dinheiro na rua.

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Place de l’Horloge
Place de l’Horloge
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Hôtel de Ville – Place de l’Horloge

Depois desse passeio, nós resolvemos jantar. Pegamos a dica de uma creperia no TripAdvisor e procuramos a bendita. Andamos, andamos, circulamos o tal ponto e nada. No final das contas, a creperia estava fechada e com um baita tapume na frente, por isso não achamos. Depois de muito girar, os outros restaurantes ou estavam lotados ou eram muito caros, e nós fomos parar num Kebab mesmo (tava bom e tava barato).

No dia seguinte acordamos cedinho para turistar – e já cedo percebemos um problema. A verdade é que nessa parte da França existe um vento tão maligno que até nome ele tem: Mistral. Nós não levamos muita roupa pra essa viagem, porque já estávamos vivendo uns dias de clima mais ameno na Suíça e a previsão pro sul da França era ainda melhor. Mas esse tal de Mistral-vento-catabático não perdoa. Nós passamos um frio do cão em Avignon.

A primeira parada, obviamente, foi o Palais de Papes, umas das maiores e mais importantes construções góticas da Idade Média na Europa. Em 1305 o francês Bertrand de Got, arcebispo de Bordeaux, foi eleito papa sobre o nome de Clemente V. Em 1309, Clemente V decidiu estabelecer-se temporariamente em um convento dominicano em Avignon. Sete papas reinaram em Avignon até que a sede do papado retornou definitivamente para Roma, em 1417. Durante esse tempo, o convento foi destruído e foi erguido, aos poucos, o edifício atual. O Palácio dos Papas tornou-se propriedade da cidade de Avignon em 1810 e foi usado como quartel até 1906, quando tornou-se museu nacional. Pagamos € 10,50 no ingresso Palais de Papes + Pont St. Benezet por pessoa.

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O passeio lá dentro é bem interessante e você vai seguindo um itinerário. Dá pra encontrar muitas informações e circular por várias partes do palácio (e em algumas não pode fotografar). Nós passeamos por tudo e mesmo assim o passeio não demorou muito.

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Tem umas partes aonde as pessoas jogam um dinheirinho… achamos até notas de 2 reais!

 

Também subimos na torre para fotografar e quase saímos voando de lá de cima (e ganhamos novos penteadinhos nas fotos).

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Terminado o passeio, nós subimos no Rochers de Doms, um parque elevado ao lado do Palais de Papes. Dali se tem uma boa vista da Ponte de Avignon e do rio Ródano, além de um belo jardim e esculturas.

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A vista para a ponte

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Passamos em frente a Catedral Notre Dame de Doms e ela estava fechada (mas não sei dizer se é sempre assim ou é temporário).

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Fomos até a Pont St. Benezet, também chamada Ponte de Avignon, a famosa ponte incompleta. Concluída em 1185, a ponte de Avignon foi a primeira passagem sobre o Ródano entre Lyon e o mar, e tinha 900 metros e 22 arcadas.  Destruída em 1226, reconstruída e levada pelo Ródano inúmeras vezes, a ponte foi abandonada no século XVII. Atualmente restam 4 arcos e uma capela dedicada a St. Nicolas. A ponte de Avignon também é famosa por causa de uma música infantil, Sur le Pont d’Avignon. A Ponte, assim como o Palais de Papes, a Catedral Notre Dame de Doms e mais alguns prédios do centro histórico da cidade são Patrimônios da Humanidade desde 1995.

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Como tínhamos o passe combinado, nós aproveitamos para ‘subir’ na Ponte. Antes de caminhar na ponte propriamente dita, você passa por uma sala com exposições, explicações e um vídeo bem interessante demonstrando como a ponte era no tempo das 22 arcadas.

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On y danse, on y danse!

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Depois da ponte nós voltamos pro centro de Avignon e passamos pela Basílica de St. Pierreonde eu quase me intoxiquei com o cheiro de incenso mais forte que eu já senti. A Basílica de St. Pierre é uma igreja gótica situado no centro da cidade, na praça de mesmo nome. A construção atual foi iniciada em 1358, tomando o lugar de uma primeira construção do século VII.

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E continuamos caminhando um pouco a esmo ali por perto, já meio irritados, com fome e querendo sair do vento. Até que achamos um lugar chamado Les Baguettes D’Or, de comida asiática e, como estava lotado, resolvemos entrar. O restaurante é meio esquisito, e nem faca tem na mesa, mas a comida estava muito boa e nós pagamos somente 5,50 euros por cada menu (arroz, salada, carne + 2 rolinhos primavera). A salada estava de fazer lágrima em quem não é acostumado, mas todo o resto estava muito gostoso e o atendimento foi muito rápido. Enfim, as vezes é bom ficar de olho aonde os locais vão e não só no TripAdvisor.

Depois do almoço nós seguimos pro Museu Angladon. Foi uma boa pedida, porque começou a chover. O Museu Angladon  foi aberto ao público em 1996, graças a uma doação de Jeand Angladon-Dubrujeaud e sua esposa, herdeiros do costureiro Jacques Doucet (1853-1929), para expor as obras adquiridas pela família. A coleção está dividida entre os séculos XVIII, XIX e XX em dois andares de exposição, tendo obras de Van Gogh, Cezanne, Degas, Manet, Sisley, Picasso…. Pagamos 3 euros cada um para entrar com desconto para estudantes.

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Van Gogh: Wagons de chemin de fer

Saímos do museu e a combinação de vento maldito + chuva nos fez parar no Mc pra ver o tempo passar. Já tínhamos visto tudo o que queríamos e nem eram 16h ainda. Consideramos ir até Villeneuve-lès-Avignon, mas o vento e o frio nós fizeram desistir do passeio. Matamos um tempo no Mc, voltamos pro hotel buscar nossas coisas, e fomos pra estação matar mais tempo até nosso trem pra Arles. Realmente, não é preciso reservar muito tempo pra conhecer Avignon. Um dia é suficiente pra fazer o principal com tranquilidade e aproveitar a cidade.

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Gare d’Avignon Centre

 

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