Japão: curiosidades

E depois de alguns dias eu estou de volta! Ao todo nós passamos 9 dias inteiros passeando pelo Japão e posso dizer que foi uma experiência realmente incrível e inesquecível, mas foi também uma experiência muito sofrida! Em um post próximo falarei um pouco da experiência no geral, de hospedagem, de programação, de comida… mas nesse aqui eu vou tentar condensar um pouquinho das curiosidades que vimos por lá nesses dias.

A melhor dica: então eu vou começar com a melhor e mais relevante dica que eu posso te dar sobre o Japão e que vai valer esse post inteiro: NÃO Vá PRO JAPÃO NO VERÃO! Aliás, não vá pro Japão nem perto do verão. Nós fomos agora, na última semana de maio, podemos dizer assim um quase fim de primavera, e passamos um calor do mármore do inferno! Encaramos 30º praticamente todos os dias (até avisos sobre as extremely high temperatures outside ouvimos no castelo de Osaka). E o Japão é um país muito úmido, então quem está familiarizado com o calor de Forno Alegre vai entender aonde eu quero chegar com tudo isso.

É abafado, é pegajoso, é como se o tempo estivesse te dando um abracinho bem apertado e não querendo te soltar. É aquele calor que quando você termina o banho e começa a se secar, você já está suando de novo.

Sobre o ar condicionado: eu reparei que mesmo com muito calor, as pessoas estavam sempre de manga longa e casaco na rua e não estava ligando os pontinhos…até perceber que, não bastasse um calor lazarento, os japoneses AMAM um ar condicionado na máxima potência e mínima temperatura. Então a gente estava derretendo na rua e passando um frio dos Alpes dentro dos restaurantes, lojas, trens, shoppings…sério, a diferença de temperatura pode ser abismal.

Sobre saúde: frente a esta realidade, não é difícil imaginar que não são todos que tem saúde pro Japão. Eu não tenho, adoeci no terceiro dia.

Idioma: poucas pessoas falam inglês e, quando falam, pode ser um pouco difícil de entender por causa do sotaque. Mesmo assim elas continuam falando com você em japonês, oferecendo mil explicações e tudo o mais e até repetindo quando você faz cara de desentendido, como se a chave da compreensão fosse a repetição. E mesmo assim, a comunicação flui muito naturalmente.

11068796_884927414900338_2085816025_n

Educação no transporte: as pessoas são realmente mais quietinhas e educadas no transporte público, mas isso não é uma regra. Em uma viagem de shinkansen nós tivemos que trocar de lugar pois não agüentávamos tamanha gritaria que quatro senhores japoneses estavam fazendo! Ah, aquela história de que eles falam sempre em um tom muito baixinho e nós ocidentais somos fanfarrões… mentira também! Eles gritam pra caramba quando querem!

Multidão: é muita gente indo, vindo, voltando e gritando em todo o lugar. E eu me espantei um pouco com pessoas muito próximas a mim, caminhando coladinhas, me empurrando… achei que eles valorizassem mais o espaço individual de cada um (ou é falta de espaço mesmo né, gente!). Precisamos admitir que, mesmo naquela multidão, as coisas são ainda mais civilizadas e tranquilas do que multidões em outras partes do mundo, mas não espere um paraíso não.

Alunos por toda a parte: não teve um único ponto turístico em todo o país em que não encontramos excursões de escolas, sempre facilmente identificáveis pelos uniformes.

Turistas por toda a parte: independente do dia da semana, do horário ou do local, onde você for estará cheio de turistas. E o mais engraçado é que a maioria é japonês mesmo! Também encontramos as temíveis excursões de chineses e também muitos turistas americanos.

IMG_5244
Pode vir que tá tranquilo!

Máquinas de bebida e Kombinis: em cidades como Osaka e Quioto é absurda a quantidade de máquinas de bebidas nas ruas! A cada quadra nós encontrávamos umas três! E como elas podem ser de marcas diferentes, é bacana ficar provando bebidinhas novas o tempo todo – experimentei todas as variedades possíveis de vitamina C. E com o calor da Bahia que estava fazendo, era realmente incrível encontrar máquinas por tudo. E lojinhas de conveniência tipo Seven Eleven, Lawson e Family Markt, deve ter umas duas de cada por quadra, no mínimo.

Banheiros em todo lugar: aí você bebe pra caramba e ~kedê banheiro? Achei incrível como é fácil encontrar banheiros no Japão e sempre gratuitos. Todas as estações de trem, metrô… tem seu banheiro (aqui na Europa é difícil achar e quando acha tem que pagar). E aí tem desde aqueles que são só um buraco no chão e a gente tem que ficar agachado até os mais modernosos que fazem até barulhinho de natureza!

Segurança: por todo o país, em qualquer horário, nos sentimos sempre muito seguros. Aliás, as pessoas estão sempre com seus celulares, tablets e etc… e a mulheres usam muitas bolsas abertas (impensáveis no Brasil) justamente porque sabem que vivem em um lugar seguro.

Sirenes: ouvimos muitas sirenes em Tóquio (porque dormíamos de janela aberta) e era engraçado que, além do barulho da sirene, eles também emitem um aviso. Ficávamos brincando de adivinhar o conteúdo do aviso, provavelmente: Desculpa, desculpa, temos que passar, obrigado!

Empregos: na verdade nós estamos acostumados com um país onde os salários são muito altos e os cargos são mega enxugados, então quando víamos funcionários gritando na frente das lojas, segurando placas e desempenhando ‘funções não vitais’ nós ficávamos meio chocados. E também encontramos muitos idosos trabalhando!

Animais de estimação: vimos muito poucos animais de estimação por lá. Talvez as casas sejam muito pequenas, ou o preço assustador (gato de 10 mil reais a venda, eu vi!) mas eram poucas as pessoas passeando com seus animais. Mas também quando isso acontecia, era uma verdadeira ostentação!

Harajuku
Balaio de gato em Harajuku

Roupas: ao contrário do que muitos pensam, vimos pouquíssimas (pouquíssimas mesmo) pessoas de cosplay ou com roupas mais diferentonas – e olha que fomos pra Harajuku em pleno sábado! Em Osaka e Quioto encontramos algumas mulheres de kimono na rua, o que foi super interessante.

Num geral, os homens se vestem de uma forma super normal e, geralmente de terno, e as mulheres se vestem de uma forma bem feminina (pooooonto pra elas). Elas tem uma mania meio estranha de usar meia com tudo, com tudo mesmo, tipo meia branca na sandália preta e meia preta na sandália branca. Elas também usam muita saia e muito salto! Sério, é incrível como elas usam salto! E não é aquele saltinho confortável que a gente usa pra dar migué de arrumadinha, é saltão mesmo. No final do dia, algumas estavam andando igual umas patinhas, arrastando as sandálias, com as tiras abertas… cenário de fim de festa!

Sobre maquiagem: pelo que pude reparar, elas sempre estão maquiadas! É uma maquiagem supostamente mais natural, com cores mais neutras e pele bem feita e luminosa. Confesso que não achei tão natural assim, dado que algumas estavam tão luminosas que pareciam plastificadas. Mas era super comum entrar nos banheiros públicos e encontrar várias mulheres – de todas as idades – retocando a maquiagem nos espelhos imensos.

Sobre gentileza: sim, os japoneses são muito gentis! Além da educação, que você pode encontrar em vários países do mundo, os japoneses são gentis de uma forma que você não espera. Só pra exemplificar, quando chegamos no Japão nós pegamos um trem bala direto para Osaka e caímos duros de sono e cansaço. Em um determinado ponto da viagem, um executivo japonês que estava do nosso lado nos acordou pra ver o Fuji! Gente, isso não é extremamente gentil? Ele sabia que éramos turistas e que, muito provavelmente, gostaríamos de ver o Fuji, então ele fez o favor de nos acordar e mostrar. Assim como as pessoas que trocavam de lugar no metro pra que nós dois pudéssemos sentar juntos, ou o senhorzinho que me deixou alimentar a gata dele (a Gaga-Chan) no parque Ueno… são coisas que eles não tem a mínima obrigação de fazer, mas eles fazem porque são legais! Bem que o mundo inteiro podia ser assim!

11272001_884927428233670_621010494_n
Vista do Fuji a partir do Shinkansen!

Ah, e eles adoram ajudar! Mesmo quando eles não sabem como, quando eles não falam inglês, mesmo quando você não pediu ajuda nenhuma. Eles veem um turista com um mapa na mão ou tentando tirar uma selfie e já resolvem que é hora de ajudar! E agradecem, meu Deus, como agradecem! Quando eu era criança a gente tinha a brincadeira de “dar o tapa por último” e, parece que lá, eles tem a brincadeira de “agradecer por último”. Uma atendente do restaurante chegou a nos seguir até a rua pra não perder a oportunidade de ser a última a agradecer!

Alimentação: ah, a comida é bem diferente do que a gente espera – não tem só sushi e coisa esquisita. Aliás, achei que as pessoas que vão pra lá e voltam cheias dos salgadinhos e balas bizarras se esforçam viu? Não vi tanta coisa bizarra assim pra comprar… Nós fizemos praticamente todas as refeições típicas e os pratos quentes não nos conquistaram muito. Comemos muitas coisas gostosas e muitos espetinhos (eles comem coraçãozinho de galinha também!) mas nada que amamos demais e agora estamos sofrendo sem. Nos empanturramos mesmo de sushi, mas esse dá pra encontrar em tudo que é lugar – até aqui do lado de casa! Ah, e vimos japoneses gordinhos sim e também achamos muito bizarro que as pessoas podem fumar dentro dos restaurantes!

Bossa nova: ah, como eles amam bossa nova! Eles tem a capacidade de transformar tudo em bossa nova, de Bee Gees a Beatles…

Filas absurdas: percebemos que eles também curtem muito fazer fila. De repente a gente estava andando e encontrava uma fila gigantesca pra algo que não fazia sentido… chegamos a conclusão que a fila é pelo prazer de fazer fila mesmo.

Gritaria: em alguns bairros, posso citar agora de cabeça Akihabara, os funcionários tem uma mania terrível de ficar berrando na frente das lojas, imagino que anunciando as ofertas do dia e oportunidades. Alguns simplesmente berram, outros tem microfone, outros tem megafone…. o resultado disso você pode imaginar! E em algumas estações de trem/metrô eles conseguem encavalar dois avisos sonoros e uma musiquinha ao mesmo tempo! Cale-se, cale-se, você me deixa loucoooooo!

Roupas pequenas: e não me venham com essa história de que o P de lá é menor que o P daqui! Eu achei que seria o paraíso das compras pras Smurfs, e dei de cara com uma padronagem muito semelhante a que encontro aqui na Europa. Compro P aqui e compro P lá também.

Ciclistas: ah, achei que seria difícil/impossível encontrar algo em que os japoneses não são educados. Mas como ciclistas eles são o Pateta Motorista! Em cidades como Osaka e Quioto, que tem muitos ciclistas, a situação era de “dar nos nervos”! Eles não respeitam sinalização, não respeitam as pessoas, sobem na calçada quando convém, passam tirando lasquinhas das pessoas… em Himeji nós estávamos andando na calçada, e a calçada era claramente dividida em zona pra pedrestre e zona pra ciclistas, e os ciclistas estavam cagando pro mundo e andando por tudo mesmo! F&%∆-se!!!! Pra quem já andou em Copenhagen e conheceu educação e organização como aquela, o Japão é um caos das bicicletas.

Dentes tortos: no Brasil a gente é tão viciado em aparelho que colocamos aparelho até na chapa. Mas por lá as coisas são diferentes e li até que eles acham charmoso ter os dentes tortos. Então eles tem, e como.

Sobre gafes: achei que pagaria muitos micos e cometeria muitas gafes, mas me deparei com um cenário diferente do que eu esperava. Eles tem sim uma cultura e tradições muito diferentes, mas eles também são muito tolerantes com as outras culturas e muito acostumados com turistas o tempo todo. Então ninguém ficava reparando na gente, ou reparando se a gente fazia algo errado… no final das contas o turismo fluiu muito mais tranquilo e natural do que o esperado.

* Pra quem ficou curioso e que ler mais sobre o assunto, recomendo esse post com 60 impressões do Japão feito pela Lia Camargo, que tem várias coisas interessantes e que também super concordo porque vi por lá.

* e se eu lembrar de mais coisas eu volto e atualizo com *adições posteriores!

Você também pode gostar de:

1 Comentário

Deixe uma resposta para Viajando pro Japão: aspectos práticos - Gnomonique Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *