Nova York: impressões gerais

Eu não costumo escrever esse tipo de coisa, mas eu acho que pro caso de NY é bastante válido dividir um pouco das nossas impressões sobre a cidade. Eu acho que formar uma opinião sobre um lugar é muito sobre você saber matar as suas expectativas e aprender a lidar com a realidade.

Essa foi a nossa primeira vez em NY e, no caso, minha primeira vez nos EUA também. Eu estava muito empolgada com a viagem, porque há muito falávamos em ir pra NY. Eu gastei boas horas pesquisando sobre a cidade, lendo sobre as atrações, sobre a opinião das pessoas – e nada disso me preparou pra o que encontramos lá.

Quando as pessoas escrevem sobre NY tem muito de “você tem que fazer, tem que comer, tem que visitar, tem que comprar”. E isso me dá nos nervos, porque a única coisa que você “tem que” é fazer o que você quiser e aproveitar sua viagem da melhor forma possível. As vezes eu acho que as pessoas se condicionam tanto nesse “você tem que” que acabam esquecendo de analisar criticamente esses lugares e, por isso, dificilmente você lê críticas a respeito de Nova York.

Vou comentar algumas coisas aqui, sem muito detalhamento, só pra ilustrar um pouco as nossas impressões gerais de Nova York. Depois eu vou fazer um post específico sobre os pontos turísticos, comida e sobre compras.

Manhattan: uma ilha onde brota gente

Preciso começar dizendo que fomos na primavera, e pra piorar, na Páscoa. Isso simplesmente resulta em uma ilha transbordando gente por todos os lugares. É impossível escapar da horda enlouquecida de turistas, seja nas ruas, nas lojas, nos pontos turísticos. A gente esperava que fosse muito movimentado, porque é NY, mas não esperávamos algo dessa magnitude, tornando difícil até mesmo caminhar pela cidade.

Infelizmente, esse “detalhe” acabou afetando todo o resto da nossa viagem. Nós não conseguimos entrar em alguns pontos turísticos, por exemplo, por causa da fila gigantesca dando volta no quarteirão. Nós não conseguimos fazer compras direito por causa das lojas lotadas de gente, criando um ambiente extremamente desagradável. Sinceramente, eu não acho que em outras épocas seja muito diferente, mas com certeza nós pegamos uma época infernal e que eu definitivamente não recomendo. Tenho uma amiga que foi em agosto, e encontrou uma cidade bem mais habitável – mas em compensação o calor estava de matar (isso que estava afugentando um pouco as pessoas). Assistindo os vlogs do Just Lia, eu pude perceber como a cidade estava muito mais tranquila, mas também estava um frio de rachar. Então talvez seja isso: você escolhe entre clima adverso ou muita gente. Eu escolheria clima adverso se soubesse disso antes.

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Atrações turísticas:

As atrações turísticas da cidade são muito legais, mas como todo o resto, estavam transbordando de gente. Mesmo os museus, que geralmente não são a escolha de 10 entre 10 turistas, estavam lotados: fila pra entrar, fila pra pagar, fila pra admirar uma obra. Os museus de NY são realmente sensacionais, mas infelizmente, dado esse acúmulo absurdo de gente, os passeios se tornaram bastante estressantes. Acredito que muitos turistas adorem gastar seu tempo na Times Square, mas nós encarávamos quase como uma obrigação: as lojas estavam impossíveis de entrar, as ruas e calçadas impossíveis de caminhar, e não conseguíamos passar muito tempo lá sem ter vontade de sair correndo.

Os momentos mais agradáveis acabaram sendo os passeios pelos bairros (Soho, Meatpacking District, West Village, Chinatown, Little Italy). Ainda estavam bastante cheios de turistas, mas ainda assim mais habitáveis. Pelo menos a gente conseguia andar no nosso próprio ritmo.

Mapa Traiçoeiro

Sempre quando eu viajo eu preparo mapas com atrações- quando chegamos na cidade eu percebo que na realidade as coisas são muito mais perto umas das outras do que pareciam, e é muito tranquilo encontrar tudo. Isso vale pra todos os lugares que já fomos, inclusive a Philadelphia, mas não vale pra NY. As coisas parecem perto no mapa, mas não são. Existem muitos mapas distorcidos da cidade (tipo o do metro), que fazem você acreditar que é tudo perto e que você pode fazer tudo a pé. A gente olha no google maps e pensa que é tudo pertinho, que são só duas ou 3 quadras, mas na realidade não é bem assim.

Metrô

O metrô em NY é bastante diferente dos metrôs das outras cidades que conhecemos. Ele é mais como um conjunto de linhas paralelas do que como uma teia. Não é como Paris que, basicamente, você pode entrar em qualquer estação, decidir o sentido lá dentro e trocar, 1 ou 2 vezes, pra chegar aonde você quer. Em NY, quando você escolhe o seu destino, você tem que entrar na estação certa e no sentido certo pra ter sucesso. Parece complicado, mas na realidade não é. Mas essa não a única característica especial do metrô de NY. Ele também é muito barulhento (muito mesmo), sacoleja muito (e até freia bruscamente) e ele anda muito rápido. Tipo, na minha mente agora, Manhattan é gigante: você pega o metro lá no sul da ilha, o metro corre pra caramba, pára super pouco, e mesmo assim demora demais pra chegar no Central Park. Na minha inocência, eu esperava que não fosse tão grande assim.

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Compras

Quando você fala que vai pra NY todo mundo pensa em COMPRAS, e já começam pipocar encomendas e coisas do gênero, porque as pessoas realmente associam NY à consumo. Assim como a parte turística, a parte de “compras” também foi bastante afetada pela multidão enlouquecida. As lojas estavam sempre lotadas, mas lotadas sobremaneira. Além da superlotação, as lojas estavam sempre com música no último volume (principalmente as da Times Square), transformando o ambiente numa mini balada. Para mim, esse mix cria um ambiente completamente desagradável. Em vez de me estimular a deixar os neurônios de lado e comprar como se não houvesse amanhã, eu ficava era louca pra sair dali de dentro o mais rápido possível.

Nos poucos lugares onde encontrei um ambiente um pouco mais agradável, eu não achei os preços assim tão maravilhosos – mas, deixando bem claro, depende muito do que você procura (eletrônicos tem um preço ótimo, roupas de marca tbm). Mas, no caso, as coisas que eu estava procurando não tinham preços realmente vantajosos. Antes de ir eu pensava que ia pirar lá, que ia encontrar coisas maravilhosas e interessantes, que eu não estava levando dinheiro suficiente…Definitivamente, não foi o que aconteceu. Esse mix de lojas lotadas e preços não muito amigos fez com o que eu comprasse exatamente o planejado, nada mais – bem decepcionante.

É claro que isso muda muito conforme o que você procura. O Henrique, por exemplo, foi bem mais feliz nas compras do que eu.

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“Quem nunca sonhou em nadar num mar de gente?”

Comida

Se tem algo que não tenho nada para reclamar, é a comida. Acho que é a cidade turística com a maior quantidade de ótimas opções de alimentação com preço ótimo. Num próximo post de NY eu detalho mais o assunto.

Arredores

Eu diria que pra você manter uma imagem linda e rica de Nova York, não saia de Manhatan, ok? Nós transitamos bastante pelo Brooklyn, onde estávamos hospedados, e passamos pelo Queens pra ir ao aeroporto. Foi tudo super tranquilo, mas você vai ver uma realidade muito, mas muito diferente de Manhattan. Bastante pobreza, bastante sujeira, eu diria que se a gente não fosse brasileiro, até medo daria…

Resumindo…

NY é uma cidade muito caótica. Tem quem goste disso e aprecie esse estilo “cidade que nunca dorme”. Como disse uma amiga minha que morou no EUA por um tempo, NY não parece uma cidade real. É tudo demais: gente demais, barulho demais, consumo demais…

Com certeza vale a pena visitar, vale a pena conhecer, e não nos arrependemos nem um pouco de ter ido. Mas assim, não foi aquele amor de “mal posso esperar pra voltar a NY”. E já digo, quero voltar em clima adverso.

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