Resenha: 1808

1808gomesTítulo: 1808 : como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil

Autor: Laurentino Gomes

Ano: 2007

Editora: Planeta, 2007

Sinopse: D. João VI foi o único soberano europeu a colocar os pés em terras americanas em mais de quatro séculos, e foi quem transformou uma colônia em um país independente. No entanto, seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento e, quando lembrado, é tratado de forma caricata, como no filme Carlota Joaquina, de Carla Camurati. Mas o Brasil de D. João VI não se resume a graçolas. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleônicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o caldo no qual se deu a mudança da corte portuguesa e sua instalação no Brasil. O propósito desse livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. Como se verá nos capítulos adiante, esses personagens podem ser, sim, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, inclusive alguns muito atuais.

Minha opinião:

Peguei esse livro nas coisas do Henrique sem muito conhecimento, esperando inclusive que fosse um ‘romance histórico’. Mas não é, é uma pesquisa sobre a vinda da família real para o Brasil, escrita de uma forma mais leve e acessível. O livro relata todo o contexto político na Europa, os motivos que fizeram com que a família real fugisse para o Brasil, como foi a viagem, a chegada, a vida nos trópicos e também todas as modificações decorrentes na colônia no seu caminho para a Independência.

O que eu achei mais interessante é que o livro não retrata só os grandes acontecimentos, aqueles que estão nos livros de História da escola e de que lembramos: ele traz uma série de informações a respeito do cotidiano, da cultura, dos costumes da época. Traz também o relato de pessoas que aqui estiveram naquela época e primeiramente, ficaram chocadas ao encontrar uma cultura nova, mas que com o passar do tempo mudaram de opinião sobre o Brasil (ou não). Infelizmente, lendo esse livro, a gente tem uma noção de como certos problemas brasileiros estão enraizados na nossa história, antes mesmo de sermos um país.

A época de D. João VI estava destinada a ser na história brasileira, pelo que diz respeito à administração, de muita corrupção e peculato.

Porém no entanto todavia, estava eu bem feliz lendo o meu exemplar quando lá na página 129 o texto muda e aparece o ‘Volkswagen indiano’. É, fui premiada com um dos 10 mil exemplares que saíram da gráfica com um enxerto de outro livro entre as páginas 129 e 160 (achei a notícia aqui). Tenso isso. A sacanagem é que o texto não retoma de onde parou, ele pula do capítulo 9 e vai direto pro 13. Bom, como não é um romance, isso não prejudica todo o entendimento do livro, mas sério, fiquei com uma baita vontade de abandonar a leitura. Só não fiz isso porque eu tenho um problema sério com abandonar leituras – já li até que isso é doença =P

Mas enfim, ignorando esse fato, achei o livro muito bacana. Ele conta uma parte muito importante da história do nosso país (e da Europa também), só que de uma forma leve, agradável. É uma leitura rápida, por vezes até bem engraçada (como no relato dos passeios de fim de tarde de D. João, e seu hábito de sentar placidamente no seu penico, onde quer que desse vontade, e fazer as necessidades as vistas de todos, sem o menor pudor – ser príncipe/rei tem que ter suas vantagens) e que nos ajuda a entender um pouco mais da formação do Brasil.

* No início do livro o autor propõem um ‘exercício de reflexão’:

Imagine que, num dia qualquer, os brasileiros acordassem com a notícia de que o presidente da República havia fugido para a Austrália…e com ele teriam partido todos os ministros , os integrantes dos tribunais superiores de justiça, os deputados, senadores… Provavelmente, a primeira sensação dos brasileiros diante de uma notícia tão inesperada seria de desamparo e traição. Depois, de medo e revolta.

Oi? eu ri. Em tempos de protestos na ruas e PS4 por R$ 4000,00, o povo ia soltar foguete Laurentino!

– Esse trecho está na página 29, e na página seguinte o autor explica essa comparação e diz que, nos dias de hoje, o povo se uniria, elegendo um novo presidente e lá lá lá… mas é que, antes de virar a página e ler a explicação do autor, é irresistível pensar numa resposta.

Você também pode gostar de:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *