Resenha: A Arte de Viajar

 

Título: A Arte de Viajar

Autor: Alain de Botton

Ano: 2012

Editora: Intrínseca

Sinopse: Poucas atividades estão tão associadas à busca da felicidade quanto o desejo de viajar para algum lugar distante, com clima diferente, paisagens e costumes mais interessantes. Embora não faltem publicações que recomendem variados destinos, o viajante dificilmente encontra na literatura uma reflexão sobre as motivações que o levam a abandonar o conforto do lar e a enfrentar o desconhecido. Tampouco se encontram conselhos para que tal jornada se transforme em uma experiência enriquecedora para o indivíduo.  Muito bem acompanhado por uma seleção de literatos, artistas e pensadores como Flaubert, Edward Hopper, Wordsworth e Van Gogh, o escritor Alain de Botton passeia pelo universo das viagens, deslocando-se por Barbados, Amsterdã, Madri, Provence e o deserto do Sinai. Seu olhar aguçado esmiúça as múltiplas facetas do processo, da peregrinação às atrações turísticas aos altos e baixos de uma relação amorosa em cenário tropical, sem relegar ao segundo plano aspectos mais negligenciados como a intrigante paisagem de aeroportos estrangeiros, o mobiliário de quartos de hotéis e o discreto charme dos postos de gasolina de beira de estrada.  Ao contrário dos guias turísticos que determinam e hierarquizam o que há para se ver durante uma visita, A Arte de Viajar nos encoraja a expandir nossos horizontes e examinar o que nos leva a fazer as malas. Nesse volume fartamente ilustrado, Alain de Botton fornece a bagagem imprescindível para o pensamento, oferecendo sua contribuição para que nossas jornadas sejam, acima de tudo, mais felizes.

Minha opinião  

Eu vou ficar devendo de onde eu peguei a dica desse livro (foi em algum blog/texto sobre viagens), mas é certo que ele merece uma resenha própria – até porque ele veio muito a calhar com algumas reflexões que tenho tido ultimamente (que pretendo, em breve, dividir por aqui).

Começo dizendo que é uma leitura rápida, leve e muito agradável. Eu acho que todo mundo que gosta de viajar e, principalmente quem escreve sobre viagens. deveria ler esse livro. Não sei dizer exatamente o que eu esperava de um livro desses (há, eu não leio resenhas!), mas posso dizer que eu me surpreendi muito – e positivamente.

O livro é dividido em 5 capítulos: Partida, Motivações, Paisagem, Arte e Retorno. Cada capítulo tem um local e um ‘guia’, que é uma personalidade histórica (pintor, escritor…), e o autor entrelaça o tema do capítulo com obras e experiências dos guias e também com suas próprias experiências, pra ilustrar e aprofundar algumas questões pertinentes ao ato de viajar.

Pense bem: nós estamos acostumados a ler sobre destinos e pontos turísticos, acompanhamos blogs e queremos saber o que é imperdível numa cidade ‘X’, mas poucas vezes somos convidados a refletir sobre por que viajar.

Quando pensamos no que nos motiva a escolher um destino, em como lidamos com o novo, com a expectativa versus a realidade, sobre como amamos mais um lugar do que o outro, como nos identificamos com os lugares, como uma paisagem pode suscitar uma reflexão… ah, viagens são muito mais que carimbos num passaporte. Se você nunca pensou a fundo nesses questionamentos, ou procura uma ‘resposta bacana e bem estruturada’ pra coisas que você já andou se perguntando sobre viajar, bem, esse é o livro que vai te ajudar.

Entre essas experiências que somos convidados a acompanhar, encontramos viagens para Amsterdam, Madrid, pelos alpes suíços, pela Provence… e, se por acaso, você já teve o prazer de conhecer alguns destes lugares, ler as experiências do livro é ainda mais enriquecedor (e esclarecedor). Juro que Alain de Botton conseguiu me fazer ter saudades de Arles, quando relatava sua experiência na caminhada Van Gogh – e eu tenho certeza que as ciprestes da Provence foram completamente diferentes aos meus olhos graças ao trabalho do pintor holandês (sobre como a arte nos sensibiliza e nos influencia).

Não posso negar também o quanto gostei do capítulo guiado por John Ruskin, um velho conhecido meu dos meus tempos de TCC e pesquisas sobre a vida de William Morris (meu ídolo, pra quem não sabe). Enfim, grandes experiências com grandes mestres.

Acho que um grande mérito do livro é sair do campo de romance e avaliar, de forma ampla, tudo o que nos cerca quando decidimos viajar. E quando digo tudo, digo também as desilusões – afinal de contas, sejamos realistas, nem só de momentos memoráveis são feitas as nossas viagens.

Dito isso, só posso terminar dizendo que foi uma ótima leitura (recomendada a todos), e que agora existe uma grande quantidade de livros do Alain de Botton na minha lista de leituras.

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