Resenha: As Brumas de Avalon

AsBrumasTítulo: As Brumas de Avalon

Autor: Marion Zimmer Bradley

Ano: 1982

Editora: Imago 2008

Sinopse: A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo Rei e O Prisioneiro da Árvore são os quatro volumes que compõem AS BRUMAS DE AVALON – a grande obra de Marion Zimmer Bradley – , que reconta a lenda do Rei Artur através da perspectiva de suas heroínas. Guinevere se casou com Artur por determinação do pai, mas era apaixonada por Lancelote. Ela não conseguiu dar um filho e herdeiro para o marido, o que gera sérias consequências políticas para o reino de Camelot. Sua dedicação ao Cristianismo acaba colocando Artur, e com ele toda a Bretanha, sob a influência dos padres cristãos, apesar de seu juramento de respeitar a velha religião de Avalon. Além da mãe de Artur, Igraine e de Viviane, a Senhora do Lago que é a Grande Sacerdotisa de Avalon, uma outra mulher é fundamental na trama: Morgana, a irmã de Artur. Ela é vibrante, ardente em seus amores e em suas fidelidades, polariza a história com Guinevere, constituindo-se em sua grande rival. Sendo uma sacerdotisa de Avalon, ela tem a Visão, o que a transforma em uma mulher atormentada. Trata-se, acima de tudo, da história do conflito entre o cristianismo, representado por Guinevere, e da velha religião de Avalon,  representada por Morgana. Ao acompanhar a evolução da história de Guinevere e de Morgana, assim como dos numerosos personagens que as cercam, acompanhamos também o destino das terras que mais tarde seriam conhecidas como Grã-Bretanha. AS BRUMAS DE AVALON evoca uma Bretanha que é ao mesmo tempo real e lendária – desde as suas desesperadas guerras pela sobrevivência contra a invasão saxônica até as tragédias que acompanham Artur até a sua morte e o fim da influência mítica por ele representada. Igraine, Viviane, Guinevere e Morgana revelam através da história de suas vidas e sentimentos a lenda do rei Artur, como se ela fosse nova e original.

Minha opinião:

‘As Brumas de Avalon’ é uma grande história dividida em quatro livros (tanto que todos tem a mesma sinopse). Eu resolvi fazer uma resenha só, porque o que tenho pra falar vale para todos.

Esse livro traz a história do Rei Artur com todos os elementos da fábula (Excalibur, Merlim, Távola Redonda, Guinevere, Camelot, Lancelote…) mas não exatamente da forma como esperamos. Por exemplo, Merlim não é uma pessoa, é um título. A história começa antes do nascimento de Artur e o acompanha até sua morte.

A história do rei Artur sempre é permeada por dois assuntos importantes: a invasão dos saxões e a chegada do cristianismo. Neste livro, a necessidade de unir o povo da Bretanha contra os saxões é um dos pilares da história (no primeiro livro temos toda uma discussão sobre quem vai suceder Ambrósio no trono, sobre a necessidade de escolher um líder respeitado por todos e capaz de manter a Bretanha unida) mas não é o foco. Não acompanhamos Artur e seus companheiros em nenhuma batalha – somente sabemos que elas acontecem. Dessa forma, o foco do livro está na outra questão: a chegada do cristianismo na Bretanha. Mas tudo isso é contado sobre a ótica das mulheres, sendo Guinevere a representação da fé cristã e Morgana da antiga religião de Avalon. A autora se aprofunda bastante no culto a Deusa, nos rituais, nas crenças, na preparação das sacerdotisas…

Eu gostei dos livros, mas me empolguei com a leitura somente quando cheguei ao terceiro livro – é uma história bastante complexa, cheia de traições, reviravoltas, promessas e deveres. Por ser um livro contado pelas mulheres, a gente tem uma visão bastante humana da história, e acompanha os sentimentos e sofrimentos dos personagens. Conforme a leitura avança a gente vai se envolvendo, começa a gostar de um, odiar outro, torcer pra que tal coisa dê certo e, de certa forma, acaba se posicionando na disputa entre Morgana e Guinevere.

Eu realmente cheguei ao ponto de odiar a personagem da Guinevere. E quando isso acontece, a gente tem que admitir que o livro é envolvente. Pra mim um dos pontos mais marcantes do livro é quando Morgana conhece Guinevere, perdida na Ilha de Avalon. Acho que uma das questões mais bacanas levantadas pelo livro é se a Deusa (ou o Deus) se faz agir pela mão dos homens ou os homens fazem somente aquilo que querem com a desculpa de agirem em seu nome.

Por outro lado, são tantas as reviravoltas que as vezes fique meio confusa, e por vezes me perdi também na passagem do tempo. A história tem bastante personagens, mas não a ponto de confundir. Achei estranha a forma de narrar, onde acompanhamos os pensamentos de vários personagens ao mesmo tempo. O projeto gráfico é meio pobre, os livros tem todos a mesma capa – meio feia – e eu encontrei vários erros de digitação no texto.

Mas resumindo: gostei bastante de ter lido, de conhecer uma nova versão para a história de Artur. É um livro que faz a gente se apaixonar por alguns personagens e odiar outros. Não é minha versão favorita da  história do Rei Artur, mas mesmo assim é uma leitura muito interessante pra quem se interessa por essa temática.

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