Resenha: As Crônicas de Nárnia

Crônicas-de-NárniaTítulo: As Crônicas de Nárnia

Autor: C.S. Lewis

Ano: 1950-1956

Editora: Martins Fontes, 2009

As Crônicas de Nárnia são um conjunto de livros escritos por C.S. Lewis. O primeiro deles, ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa’ foi publicado em 1950, e em seguida foram publicados outros 6 livros relativos a esta temática, que juntos formam ‘As Crônicas de Nárnia’. A edição da Martins Fontes traz os sete livros na ordem sugerida pelo próprio autor – e não na ordem de publicação. As histórias são muito bem amarradas umas as outras, de forma que se você vai lendo na sequência a história vai se desenhando como um todo e você aproveita referências de um livro para o outro. Aqui vou dar minha opinião com relação ao conjunto, e depois vou fazer um pequeno resumo de cada um dos sete livros.

‘Enganosamente simples e diretas’. Eu achei essa a melhor descrição possível para os livros: eles são curtinhos, objetivos e muito bem escritos. A leitura é muito agradável, e por detrás de toda essa simplicidade e objetividade, encontramos muitas analogias.  Eu acho muito interessante a forma como o autor consegue passar certas mensagens – profundas, cheias de significado – em frases, parágrafos e analogias muito simples.

Porém, por detrás dessas analogias se escondem questões bastante profundas (cristianismo, racismo, sexismo, mitologia, paganismo). O texto da Wikipédia aborda essas questões, chamando-as controvérsias. No entanto, não cabe aqui discutir essas controvérsias, dizer se elas existem ou não existem, qual era a intenção do autor ao escrevê-las (muito difícil saber)..

De minha parte, posso dizer que percebi algumas referências claramente, como o cristianismo, desde o início de minha leitura. Outras, no entanto, eu interpretei de outra forma. Como quando é dito que Suzana não pode mais voltar a Nárnia: eu encarei isso como futilidade, como se ela tivesse perdido a nobreza de espírito ao se importar demais com bens materiais e esquecer o que é realmente importante – não relacionei com sexualidade e crescimento, por exemplo. Com relação aos calormanos, me chamou muito mais atenção a maldade, que é sua característica principal, do que sua descrição física. Enfim, eu acho que fica a cargo de cada um ler, procurar e interpretar essas mensagens que o texto traz – desde as mais simples até as mais complexas – e refletir se concorda ou não com essas controvérsias. Ou simplesmente esquecer todas essas teorias e aproveitar a leitura.

Eu gosto muito do livro, gosto do caráter objetivo das histórias, da simplicidade, das descrições que me remetem muito a inocência da infância, das mensagens que o livro pode passar… com certeza é uma leitura que eu recomendo. Assim como recomendo os filmes, O leão, a feiticeira e o Guarda Roupa (2005), Príncipe Caspian (2008) e A Viagem do Peregrino da Alvorada (2010), os quais gostei bastante e achei fiéis aos livros.

* Quando li os livros e escrevi essa opinião, em nenhum momento pensei em relacionar ou traçar algum tipo de comparação entre C.S. Lewis e Tolkien, mesmo sabendo que eram amigos e que o trabalho de um influenciou o outro. Acho que existem sim algumas semelhanças mas, para mim, são trabalhos muitos diferentes. De qualquer forma, hoje, através de um link no Facebook, cheguei a essa matéria que se chama “O Não de Tolkien a Nárnia” que achei muito interessante, e resolvi compartilhar aqui caso você queira ler um pouquinho mais sobre o assunto.

Eu não curto muito fazer resumo dos livros – essa não é minha intenção aqui, mas achei que por estar resenhando 7 histórias diferentes de uma única vez, vale a pena fazer essa distinção entre elas e contar o tema de cada uma.

O Sobrinho do Mago 

‘É uma história da maior importância, pois explica como começaram as idas e vindas entre o nosso mundo e a terra de Nárnia.’ Neste livro, Diggory e Polly viajam entre mundos com a ajuda de anéis mágicos feitos pelo tio André. Nestas viagens, conhecem o Bosque entre Mundos, que dá acesso a vários mundos através de lagos. No mundo de Charn, Diggory acaba por despertar a Feiticeira Branca, chamada Jadis, e acidentalmente a leva para Nárnia. Acompanhamos então a criação de Nárnia, o surgimento dos animais falantes, a coroação do seu Primeiro Rei e Rainha, e a tarefa dada a Diggory para se redimir do fato de ter levado o mal para uma terra recém criada. Nesse livro também entendemos porque o guarda roupa dá acesso a Nárnia: Diggory leva um fruto de Nárnia para seu mundo, e planta suas sementes. Da árvore que cresceu foi feito o guarda roupa. E assim, temos a deixa para a próxima história. 

O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa 

Este é o primeiro livro de C.S.Lewis, e conta a história de quatro irmãos, que através de um Guarda Roupa, tem acesso a terra de Nárnia, onde impera a Feiticeira Branca e seu inverno sem fim. Neste livro, os quatro irmãos, com a ajuda de Aslam e de todos os animais de Nárnia, devem derrotar a Feiticeira Branca e recuperar a paz. Os quatro irmãos reinam em Nárnia por longos anos, até que um dia, em uma caçada, encontram o guarda roupa por onde entraram nessa terra mágica. Acabam saindo do guarda roupa e descobrem que em nosso mundo não se passou um único minuto. Aqui aprendemos que o tempo em Nárnia transcorre de forma diferente do que em nosso mundo, fato esse que é retomado muitas vezes daqui em diante – nos próximos livros. A partir desse momento, o guarda roupa não mais dá acesso a Nárnia. “Nárnia acontece”.

O Cavalo e seu Menino 

O Cavalo e seu Menino é o terceiro livro na ordem sugerida pelo próprio autor. Conta a história do menino Shasta, que se passa durante o período em que Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia reinavam em Nárnia, chamada de Idade de Ouro de Nánia. A história começa na Calormânia, um país vizinho a Nárnia, e que aparece também em outras crônicas. Shasta é escravo na Calormânia e encontra Bri, um cavalo falante de Nárnia igualmente escravizado, e juntos resolvem fugir para Nárnia. No caminho encontram Huin, uma égua falante, e Aravis, também em fuga.  A história narra a fuga deles, seus encontros com Aslam, e sua passagem pela cidade de Tashbaan, onde Shasta encontra-se sem querer com Suzana e Edmundo, em visita ao país dado o pedido de casamento que o príncipe da Calormânia fez a Suzana. Suzana nega o pedido, e os Calormanos resolvem então fazer uma investida para dominar a Arquelândia e Nárnia. Shasta e Aravis ajudam a salvar Nárnia e a Arquelândia, e descobre-se a origem de Shasta, o que era de sua vida antes de ser escravo na Calormânia.

Príncipe Caspian 

Princípe Caspian é a quarta crônica na ordem sugerida pelo autor, e no entanto foi o segundo filme a ser produzido. Conta a história da segunda ida dos quatro irmãos Pevensie para Nárnia, para ajudar Caspian X, o legítimo rei, a recuperar o trono usurpado por seu tio Miraz. Para os irmãos havia se passado 1 ano desde que saíram pelo guarda roupa, mas em Nárnia haviam se passado muitos e muitos anos, e a terra estava um tanto quanto irreconhecível. Caspian consegue fugir de seu tio e encontra uma legião de animais e outros seres ainda fiéis a Nárnia Antiga, e forma um exército para combater seu tio usurpador. Esse livro narra as última aventuras de Pedro e Suzana em Nárnia, pois eles não mais voltarão para lá, devido a sua idade.

A Viagem do Peregrino da Alvorada

Caspian, agora rei de Nárnia, resolve partir em busca de 7 fidalgos, amigos de seu pai, que foram mandados para explorar Os Mares Ocidentais pelo seu tio Miraz, com a intenção de tirá-los do caminho para conseguir usurpar o trono. Para ajudá-lo nessa tarefa, Edmundo e Lúcia são mandando novamente a Nárnia, com a companhia de um primo, Eustáquio Mísero. O navio, o Peregrino da Alvorada, vai passando pelas Ilhas solitárias no seu rumo para os mares Ocidentais, e nessas ilhas transcorrem algumas das aventuras da história, como a transformação de Eustáquio em dragão. Narra a aventura na Ilha dos Três Dorminhocos, onde encontram Ramandu e sua filha, que mais tarde passa a ser esposa de Caspian, e sua viagem até o fim do mundo, onde as 3 crianças retornam ao nosso mundo.

Eu não diria que é o meu favorito, pois gosto de todos igualmente, pelo conjunto que formam. Mas eu diria que é o livro que me trouxe umas das mensagens mais bacanas: separar sonhos (que acontecem enquanto dormimos) de desejos. Pode parecer bobo, mas é uma ideia muito simples e que me marcou desde a primeira vez que li. Só quem já teve uns sonhos muito absurdos sabe como seria péssimo estar em um lugar onde os sonhos se tornam realidade.

A Cadeira de Prata

Nessa crônica, Eustáquio Mísero e sua amiga Jill Pole vão para Nárnia para encontrar o príncipe Rilian, único filho do Rei Caspian X, que foi sequestrado por uma terrível feiticeira. Aslam os envia para Nárnia para que encontrem o príncipe, já que Caspian está muito velhinho e deixa o trono sem nenhum herdeiro. Aslam dá sinais a Jill para que eles possam encontrar o Príncipe. Para ajudá-los, surge um novo personagem, um Paulama. É uma mistura de homem e sapo, com pernas e braços compridos, e esse paulama em específico é pessimismo puro – adoro. Para libertar Rilian eles rumam em direção ao norte, para a Terra dos Gigantes, onde acabam caindo no submundo e encontram os Terrícolas. Através dos sinais de Aslam, encontram o príncipe e retornam com ele para Nárnia.

A Última Batalha 

Essa é a última crônica. Começa mais de 200 anos depois da morte de Rilian. Para mim, essa crônica é a que traz mais analogias e referências. Começa com o macaco Manhoso vestindo o jumento Confuso com uma pele de leão, simulando a vinda do próprio Aslam e mandando e desmandando em Nárnia como se fosse seu porta voz. O macaco Manhoso fica aliado dos Calormanos, e Aslam envia Jill e Eustáquio novamente para Nárnia para ajudar o rei Tirian a acabar com a farsa e devolver a paz. A história se desenrola na descoberta do jumento, na tentativa de desmascarar o macaco, nas suas artimanhas, mas demonstra-se realmente perigosa na intenção dos calormanos em dominar Nárnia e escravizar todos os seus habitantes. O rei Tirian se vê com poucos aliados e com grande dificuldade de convencer os animais falantes de Nárnia da farsa do macaco Manhoso, tendo que enfrentar um grande exército de calormanos. Assim como presenciamos o início de Nárnia presenciamos também o seu fim, e existe uma espécie de encerramento válido para todas as crônicas, uma espécie de “pra onde as coisas vão depois do fim de tudo”.

Simplesmente não consigo não pensar nisso =P

Jesus_Christ_it's_a_lion_Get_In_The_Car!

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