Resenha: As Veias Abertas da América Latina

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veiasTítulo: As Veias Abertas da América Latina

Autor: Eduardo Galeano

Ano: 1971

Editora:  Paz e Terra, 1986 – 22º edição

Sinopse: … Galeano, ao invés de enfatiotar-se com roupagens acadêmicas, quebra a cronologia linear da historiografia oficial para desnudar o saque ao continente que persiste desde o Descobrimento. E narra com clareza que as metrópoles podem mudar de sede, mas sua sede permanece insaciável. E põe a nu os truques, que podem mudar de nome mas nunca de essência, utilizados pelas classes dominantes sempre em associação, ou com o apoio, dos poderes imperiais…. Os mecanismos de poder, os modos de produção e os sistemas de expropriação, que nos são comumente apresentados como produtos do destino, enfrentam o confronto dos fatos na história deste continente e são claramente desmistificados. Como resultados da criação humana, eles podem ser modificados. Mas a mudança exige ciência e consciência. Daí a importância da leitura deste livro. (suprimi as partes que se referiam a primeira edição em português).

“…relata os quase 500 anos de exploração econômica e miséria social na América Latina’.

Minha opinião:

Na minha última visita a biblioteca do meu tio, achei esse livro e de cara me lembrei de ter lido comentários sobre ele recentemente. Resolvi pegar emprestado. Eu realmente gosto de literatura de fantasia (Tolkien, Martin…) mas de vez em quando é preciso sair desses mundos ‘paralelos’ e aprender mais sobre o nosso mundo. E esse livro com certeza é uma oportunidade ótima pra isso.

Confesso que foi uma leitura difícil e demorada. É bastante informação, e em alguns momentos senti dificuldade em acompanhar. Mas não desisti, porque lendo esse livro eu aprendi MUITAS coisas que a gente não aprende na escola, e que a mídia faz questão de esconder. É até estranho pensar como nós podemos morar aqui e ignorar tudo isso.

O livro relata a exploração da América Latina pelos portugueses/espanhóis/ingleses, e posteriormente, pelos norte americanos. Ele traz explicações para certas questões que sempre me intrigaram, tipo: porque as ‘coisas’ deram certo nos EUA e não aqui? Porque, se vivemos em solo tão rico, somos um país subdesenvolvido?

Os colonos da Nova Inglaterra, núcleo original da civilização norte americana, não atuaram nunca como agentes coloniais da acumulação capitalista européia; desde o princípio, viveram ao serviço do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento da sua terra nova.

O subdesenvolvimento latino americano é uma consequência do desenvolvimento alheio, que nós, latino americanos, somos pobres porque rico é o solo que pisamos e que os lugares privilegiados pela natureza têm sido malditos pela história.

Acho que tem gente com muito mais conhecimento de causa discutindo sobre o livro na internet, mas o que eu posso dizer é que eu curti a leitura, porque eu aprendi muitas coisas sobre as quais eu não fazia nem ideia – e que me ajudam a entender melhor a situação do Brasil e do continente atualmente. E aprendendo essas coisas novas, a gente deixa de pensar – e falar – certas besteiras que são bem típicas de quem aprendeu só uma parte, muito pequena e mascarada, da história do nosso continente e do nosso país.

É claro que, assim como tem quem defende o livro, também tem quem ataca. O que nos ensina que não são verdades inquestionáveis tudo o que é apresentado no livro. Acho que cada um lê tira as suas próprias conclusões e, principalmente, pode partir para outras leituras, buscar mais informações, aprender mais sobre o assunto. De qualquer forma é uma leitura que eu recomendo, nem que seja como um primeiro passo pra se conhecer a história da América Latina.

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