Resenha: Azincourt

Como eu comecei com meu autor favorito, vou prosseguir com meu segundo autor favorito: Bernard Cornwell.

azincourt

Título: Azincourt

Autor: Bernard Cornwell

Ano: 2008

Editora: Record (2011)

Sinopse: O arqueiro Nicholas Hook tem um talento sem igual para atrair problemas. Quando seu senhor o envia a Londres em uma força especial designada para conter uma possível insurreição dos lolardos, Nick perde o controle durante uma briga e é considerado fora da lei. Refugiando-se do outro lado do Canal, o arqueiro se junta a mercenários ingleses que protegem a cidade de Soissons contra ataques da França. Lá, ele presencia as atrocidades que chocaram a Europa e o conduziram de volta para a Inglaterra, onde se alistou na companhia de Sir John Cornwwaille, um dos líderes das tropa de Henrique V.

O Exército é implacável, mas doenças e a inesperada investida francesa em Harfleur o reduzem em frangalhos. O rei se recusa a aceitar a derrota, e sob condições climáticas impiedosas, lidera o restante dos homens ao que parece ser a ruína.

Azincourt é uma das mais grandiosas batalhas da História. Travada entre dois exércitos desiguais que se enfrentam em condições desastrosas no dia de São Crispim, em 1415, a batalha resultou em uma vitória extraordinária, celebrada na Inglaterra anos antes de Shakespeare tê-la imortalizado na peça Henrique V. O notável triunfo do arco longo sobre cavaleiros de armaduras e do homem comum sobre a aristocracia  feudal são alguns de seus símbolos. Bernard Cornwell sempre quis escrever sobre Azincourt, e sua versão retrata a realidade por trás dos mitos da batalha.

Minha opinião:

Bernard Cornwell é amor verdadeiro. Eu comecei pelo Azincourt porque ele é um livro único, curtinho, mas que tem todos os elementos clássicos da literatura de Cornwell.

Bernard Cornwell é um consagrado autor britânico, cujos romances giram em torno de conflitos militares famosos, ou então personagens lendários (como o rei Arthur), com um destaque todo especial para a história da Inglaterra. Cornwell se baseia em fatos históricos para recriar momentos importantes, entrelaçando seus romances nesses fatos.

No final de seus livros sempre encontramos uma explicação sobre personagens e fatos reais, e também sobre as pequenas “licenças poéticas” utilizadas pelo autor para dar corpo ao romance. Em Azincourt, Cornwell apresenta, em um último capítulo, os fatos e as fontes utilizadas para a criação da história de Nick Hook, o arqueiro inglês. Nessa ‘Nota Histórica’, Cornwell também discute o tamanho dos exércitos. Azincourt é considerada uma vitória inesperada porque o exército inglês era muito menor que o francês, mas não existe um consenso a respeito de quantos homens estavam de cada lado.

Depois de ler algumas obras do escritor, a gente consegue perceber algumas características presentes na maioria dos seus livros. São como os seus ingredientes mágicos para receitas de sucesso. Temos o guerreiro, nesse caso o arqueiro Nick Hook; o guerreiro a quem ele deve vassalagem, que é aquele personagem canastrão que a gente ama (John Cornwaille); um inimigo pessoal do personagem principal (a Família Perril); um personagem que a gente pensa que é um zé ninguém, mas depois descobre que não; um padre gente boa, que curte arregaçar a batina e lutar pela glória do Senhor ; além, é claro do Rei (Henrique V) e do exército inimigo (França).

As batalhas de Bernard Cornwell apelam aos 5 sentidos: um relato vívido de sons, cheiros, imagens, paladar e tato – e põe vívido nisso. A descrição do autor sobre as batalhas nos faz enxergar muito além do momento derradeiro de choque entre dois exércitos. Cornwell descreve com maestria toda a questão logística e estratégica por detrás da batalhas. Batalhas não só espadas, armaduras, arcos e um quebra pau generalizado, mas também recrutar, treinar, transportar, alimentar, acomodar, conviver com doenças, levantar a moral perante derrotas, e acreditar fielmente que se luta por uma questão justa – e abençoada por Deus.

Portanto, se você gosta dessa temática, Azincourt é um livro ótimo. Mas, se você não curte descrições detalhadas de batalhas, acho melhor nem começar.

Como sou fã do trabalho de Cornwell, achei Azincourt um livro ótimo, justamente porque ele segue a mesma linha dos outros livros do autor. Existe nesse livro um ponto que, de certa forma, me incomodou. O personagem de Sir de Lanferelle não me disse muito bem a que veio. Achei ele deslocado, não entendi qual a dele na história, achei as atitudes meio descabidas. Sei lá, viu.

Além do romance histórico, temos de brinde aquela lição clássica sobre o arco longo inglês. ‘Azincourt foi uma vitória inesperada dos ingleses e uma das primeira batalhas a triunfar pelo uso do arco longo.’ E aí vem os dedos calejados, os anos de treinamento, as hastes de freixo, as penas de ganso, o som da harpa do diabo…

Ótimo livro pra você que quer conhecer o trabalho de Bernard Cornwell. Rapidinho de ler, traz todos os elementos básicos do estilo Cornwell. Mas veja que legal, se você gostar, tem toda uma penca de outras publicações dele pra te divertir!

Extra:

Em certo momento, Nick cita Thomas de Hookton como exemplo de arqueiro que conseguiu ficar rico (Thomas é o personagem principal da Trilogia do Graal, também de Cornwell – resenha logo logo)

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