Resenha: Beowulf

beowulfTítulo: Beowulf

Autor: o autor do poema Beowulf é desconhecido, mas para fazer esta resenha estou utilizando o livro de AS Franchini e Carmen Seganfredo.

Ano: 2007

Editora: Artes e Ofícios

Sinopse: Primeiro poema épico da Europa ocidental Beowulf é considerado até hoje uma das obras-primas da literatura inglesa. Escrito no dialeto anglo-saxão entre os anos 700 a 750 d.C. narra as aventuras do herói Beowulf membro da tribo dos geats (localizada ao sul da Suécia) que ao longo dos anos expõe a sua vida para defender os valores da coragem e da lealdade antecipando assim os rígidos códigos de honra que dominariam a Europa durante toda a Idade Média. Sua ‘gesta’ heróica compõe-se de três desafios sangrentos dos quais os dois primeiros ele buscará apenas como uma forma de satisfazer a sua sede de aventura além de provar o valor do seu braço. Um herói destemido o bastante para enfrentar três dos mais ferozes monstros criados pela imaginação humana em três duelos sucessivos e vertiginosos – eis o que o leitor encontrará nas páginas deste vibrante romance adaptado do clássico poema medieval inglês ‘Beowulf’. Considerado por J. R. R. Tolkien e pela maioria dos amantes da literatura heróica como uma das mais perfeitas e empolgantes criações do gênero a saga de ‘Beowulf’ praticamente desconhecida no Brasil vem sofrendo nos últimos anos uma revitalização intensa graças a traduções e adaptações de todo o gênero – inclusive cinematográfica com duas versões recentes de grande sucesso (sinopse Amazon).

Minha opinião:

Beowulf, e estou falando especificamente da edição que li, é daqueles livros rápidos de ler, principalmente porque é uma leitura que flui com uma linguagem acessível (páginas grossas e espaçamento entre parágrafos enormes contribuem), alguns trocadilhos baratos, poucos personagens e uma descrição objetiva dos acontecimentos. Tem lá seus floreios, mas nada que canse, e também seus exageros, que são típicos desse tipo de narrativa). Aliás, o livro tem algumas frases e “sacadas” bem inteligentes pra descrever alguns acontecimentos e suscitar no leitor certas imagens, como a de “Grendel expressionista”.

A história é baseada nos três grandes acontecimentos: duelo com Grendel, duelo com a mãe de Grendel, ainda na juventude de Beowulf, e duelo com o dragão, quando Beowulf já não está mais na flor da idade. Mas o mais interessante, para mim, foi que o livro traz uma série de costumes e crenças nórdicas que podemos encontrar nos livros contemporâneos, que certamente beberam dessa fonte. Em especial, podemos ressaltar o quanto o Hobbit é inspirado na lenda de Beowulf (como cita a sinopse, Tolkien era um grande admirador do poema, tanto que hoje podemos ler a sua versão dele).

Só pra exemplificar, em seu último duelo Beowulf precisa lutar contra um dragão que tem assolado o país dos geats. Esse dragão estava muito tranqüilo dentro de sua caverna, em sono profundo sobre um tesouro incalculável, quando um homem descobre sem querer a entrada da caverna e furta uma taça do tesouro. Como os dragões conhecem todos itens de seus imensos tesouros um a um, o dragão despertou e deu por falta da taça. Sendo assim, saiu de sua caverna e dizimou povoados inteiros como vingança.

Bem, isso te lembra algo? Se você leu o Hobbit (e não simplesmente viu os filmes) você certamente já fez a associação. Aliás, o dragão de Beowulf também tem um “peitoral de jóias e pedrarias que séculos de sono haviam incrustado sobre a pele macia de seu ventre”, exatamente como Smaug tem; e a caverna onde este dragão dormia era um trabalho feito por anões…

Entretanto, não foi essa parte que mais me chamou a atenção. Em Beowulf aprendemos que um grande senhor presenteava seus vassalos com anéis e braceletes, podendo ser chamado de “doador de anéis” ou então “senhor dos anéis”, que é como Beowulf chama o rei Hygelac, o Senhor dos Anéis da Gotlândia. E bem, retomando Tolkien, fica bem claro que ao dar anéis a homens, elfos e anões, Sauron os coloca em estado de servidão – one ring to rule them all.

Mas essa prática também está presente em muitos livros com temática medieval. Aqueles acostumados com o trabalho de Bernard Cornwell já leram muitas vezes sobre a doação de anéis e braceletes ao seus subordinados (mas também de armas, armaduras, cavalos – riquezas em geral), e de como alguns homens exibem esses itens como prova de sucesso e, com o sucesso, passam também a doar riquezas aos seus subordinados. Mais recentemente, na série Vikings, vimos Ragnar oferecendo um bracelete a Athelstan, como um reconhecimento ao seu bom serviço (e do que acontece depois não comentarei, pra não dar mais spoilers, mas podemos perceber a importância desse gesto).

Pra quem gosta de literatura de fantasia, Beowulf é leitura clássica. Além da história em si, eu acredito que a importância de ler Beowulf está justamente nessa carga histórica que inspirou e continua inspirando tantos outros autores – em termos de cultura e tradições. Talvez essa versão que li não seja a melhor – e mais aprofundada – forma de se conhecer o poema, mas com certeza é um bom ponto de partida, acessível e interessante. A versão de Tolkien já está na minha wishlist e, assim que ler, eu volto aqui para adições posteriores.

Em 2007 foi lançado um filme, denominado simplesmente “Beowulf”, com elenco de peso (Angelina Jolie como mãe de Grendel) e feito em uma técnica especial de captura de movimentos – em outras palavras, uma animação realista. Assisti o filme no cinema e lembro de ter gostado, mas seria imensamente mais incrível se feito com atores reais.

* Reli em 2013 pra fazer resenha, escrevi e esqueci de publicar. Antes tarde do que nunca.

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