Resenha: Excalibur

excaliburTítulo: Excalibur – As Crônicas de Artur III

Autor: Bernard Cornwell

Ano: 1997

Editora: Record, 2012

Sinopse: A série As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell, apresenta aos leitores um Artur muito diferente daquele imortalizado pela versão clássica e de estilo francês da vida desse herói mítico. Apaixonado pelo personagem, o autor dedicou-se a estudar as mais recentes descobertas arqueológicas sobre esse suposto rei britânico e seu tempo. Ao ver como a realidade era diferente da lenda, Cornwell resolveu escrever a sua própria versão dessa saga. Ao partir de fatos históricos comprovados, ele criou uma Britânia realista, exatamente como deve ter sido no século V, época em que Artur teria vivido. Sobre esse cenário, reconstruiu a vida dessa figura lendária em uma série de romances que se encerra com Excalibur. Neste último episódio, a Britânia está mergulhada em trevas profundas. O rei Mordred governa com mão de ferro, e Artur, separado de Guinevere após ser traído por ela, vê seus sonhos de paz desmoronarem. Em sua eterna luta para unir todo o reino, Artur enfrenta inimigos poderosos e inesperados: os antigos Deuses britânicos, que poderão ser combatidos apenas com a conversão de Artur ao cristianismo. Um conflito que tem seu clímax na batalha do Mynyd Baddon, um combate memorável que originou as lendas em torno de Artur que chegaram até os nossos dias.  Excalibur encerra a trilogia iniciada com o Rei do Inverno, levando aos leitores a vida de Artur e seu mundo com uma nitidez espantosa, jamais conseguida em outras narrativas. É a história de um homem que luta por seus ideais em uma era brutal, prejudicado por suspeitas e magias do passado, rodeado por intrigas, e que depende apenas de sua habilidade na guerra e do talento para a liderança. Um romance empolgante que revela fatos históricos sobre Artur e seu mundo, imortalizados por bardos que há séculos cantam e contam as aventuras do maior herói de todos os tempos.

Minha opinião:

Excalibur segue no mesmo ritmo de O Inimigo de Deus – um soco no estômago atrás do outro. São 525 páginas que voam, enquanto a gente acompanha o desfecho dessa história – que segue cheia de traições, conflitos e sobretudo, surpresas até a última página.

A Dumnonia estava coberta pelo desânimo. Tínhamos perdido nossos Deuses, e as pessoas diziam que foi Artur quem os expulsara. Ele não era apenas o inimigo do Deus cristão, agora era inimigo de todos os Deuses, e os homens diziam que os saxões eram sua punição.

Excalibur começa com a tentativa de Merlim de trazer os Deuses novamente a Britânia, utilizando os Tesouros recolhidos nos dois primeiros livros da série. Em seguida, é narrada a grande Batalha do Monte Badon, onde os exércitos da Britânia enfrentaram os exércitos de Cerdic e Aelle (os dois ‘chefes’ saxões) unidos. Essa é a grande batalha da série, e que Cornwell descreve com detalhe e maestria. Ao final dessa batalha, segue um período de paz onde – novamente – a Britânia sofre com os conflitos internos.

As vezes chega dar pena do Artur: quando ele pensa que está tudo ok, ele toma mais uma rasteira e precisa lutar novamente. Mas enfim, esse Artur demasiado crédulo, esse Artur que também erra é um Artur humano – não o herói lendário amado pelo povo, mas um homem honesto que tenta fazer o melhor.

Era a atividade de soldado que o tornara famoso e que lhe permitira unir os britânicos e derrotar os saxões, mas então sua repulsa ao poder e sua crença perversa na bondade inata do homem, e sua ligação fervorosa à santidade dos juramentos, permitiram que homens inferiores desfizessem sua obra.

Independente se você conhece ou não a história de Artur, essa é uma série que surpreende. Assim como no Inimigo de Deus, é muito difícil falar desse livro sem largar spoilers. Então eu prefiro não entrar em detalhes, pra que você possa ler e aproveitar todas as surpresas e reviravoltas da trama.

Nem todo mundo gosta de ouvir sobre lanças e mortes, Derfel. As histórias de homens se matando podem ficar muito maçantes depois de um tempo, e uma história de amor torna tudo muito mais interessante.

Esse é um livro sobre batalhas e conflitos, sobre traições e maldições, mas também fala de amor, de amizade e de lealdade. Os personagens dessa série são bastante reais, e o leitor acompanha seus erros e seus acertos, sofre com eles, se emociona – e por isso eles são apaixonantes.  Eu particularmente gosto mais do Derfel do que do Artur, mas é uma questão pessoal (acho o Derfel o melhor protagonista do Cornwell). Nesse livro, também mudamos de opinião sobre alguns personagens: alguns reconquistam nossa simpatia, outros ganham nosso ódio (e ficamos aguardando ansiosamente a vingança). O final da série é memorável – mas também é triste.

Resumindo: minha opinião sobre esses livros não é uma opinião imparcial. É a opinião de alguém que ama essa série. Como eu disse no Rei do Inverno, se eu não amasse tanto Tolkien, esses seriam meus livros favoritos. Assim, eu não consigo descrever aqui algum aspecto negativo da série – eu gosto de tudo. Bernard Cornwell parte de alguns fiapos de verdade pra construir a história sobre Artur mais próxima da realidade que conhecemos. E para isso, houve um trabalho de pesquisa imenso – que é brevemente retratado nas Notas do Autor no final de cada livro – onde Cornwell revive alguns personagens que foram negligenciados com o tempo, como o próprio Derfel, e reinterpreta algumas questões, como a Távola Redonda. É uma história fantástica – e quando o livro acaba dá uma tristeza, um vazio.

– O senhor sabe cavalgar sem sela?

– Esta noite até sem cavalo, se for necessário.

* Eu comprei o box com os três livros por R$ 53,91 no Submarino – vale a pena ficar de olho nas promos 😉

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