Resenha: Hannibal – A Origem do Mal

HANNIBALTítulo: Hannibal – A Origem do Mal

Autor: Thomas Harris

Ano: 2007

Editora: Record

Sinopse: Hannibal Lecter é um menino como muitos: inteligente, gentil e extremamente carinhoso com a irmã, a pequena Mischa. Mas os horrores da Segunda Guerra Mundial farão deste inocente menino um dos personagens mais assustadores de toda a literatura. Vagando pela neve, Hannibal, de 8 anos, emerge de seu pesadelo. É mais um cambaleante sobrevivente de guerra. Está mudo e tem uma corrente em volta do pescoço. Em sua mente, a dolorosa imagem da morte dos pais, torturantes cenas de violência e apenas uma mera lembrança sobre o que pode ter acontecido a irmã. Por companhia, somente seus demônios.

Levado de volta a sua casa na Lituânia, transformada agora em orfanato, sua tortura continua – física, nas mãos de revoltados meninos mais velhos e dos inescrupulosos administradores da instituição; e psicológica, vendo nas ruínas do castelo Lecter os restos de uma infância destruída – até o momento em que finalmente é encontrado pelo tio, um pintor renomado que o leva para a França, onde passará a conviver também com Lady Murasaki, sua bela e misteriosa esposa aristocrata.

Com a ajuda desta nova família, Hannibal tentará reconstruir sua vida. Aos poucos, recobra a fala e refaz expectativas. Aluno brilhante, torna-se o mais jovem calouro de uma turma de medicina. Mas os demônios de Hannibal ainda o visitam e atormentam. E quanto tem idade suficiente, ele passa a retribuir as visitas. E descobre que sua ira unida a seus dons acadêmicos é a fórmula perfeita para um prodígio da morte.

Minha opinião:

Preciso dizer que o que me levou até essa leitura foram os filmes com o Anthony Hopkins, principalmente Hannibal, de 2001. Esse era o único contato que eu tinha com o personagem. Então, quando resolvi ler mais sobre, comecei por Hannibal Rising, que narra justamente a infância e a juventude do personagem, sendo então, cronologicamente, o primeiro livro a ser lido.

Hannibal perde sua família na guerra. Anos mais tarde, retorna ao lugar aonde aconteceram esses assassinatos e encontra 6 chapas de identidade de soldados, podendo iniciar assim a sua vingança. Essa temática de vingança sempre me lembra ‘O Conde de Monte Cristo’ (não porque seja a primeira, a melhor ou a mais original descrição de uma vingança, mas simplesmente porque foi a primeira que li, e que então ficou como parâmetro para as demais).

O que diferencia o Hannibal é que ele é de uma frieza absurda, e acaba tomando gosto pela coisa. Eu acho o Hannibal a personificação da monstruosidade elegante. Ele não só é frio e calculista, ele é um gênio. A maldade com um toque de requinte (quase um slogan). Não tem como não se interessar por Hannibal Lecter, ele é aquele cara absurdamente inteligente, e que usa essa inteligência fora do comum para se vingar daqueles que fizeram mal a sua família. E é claro que nessa trama encontramos a origem de toda a questão do canibalismo, que é a característica principal do personagem.

Apesar de todo o meu interesse pelo personagem, não consegui gostar muito do livro. Nos momentos iniciais do livro me perdi um pouco no entendimento do texto. No decorrer da vingança eu senti que em alguns momentos a história parece, por assim dizer, mal amarrada. Sabe quando parece que falta alguma coisa? Ou então que algo que foi posto no quebra-cabeça do enredo não combina com o resto?

Essa foi a sensação que fiquei no término do livro. Vale aqui lembrar que só vi os filmes, que não li os demais livros da série pra poder emitir uma opinião muito bem fundamentada. Minha opinião diz respeito única e exclusivamente ao Hannibal – A Origem do Mal (sendo assim, não sou influenciada pelos demais textos – o que tem seu lado positivo). Eu gostei do livro, mas não foi assim aquele livro que me tirou o fôlego – não estou com isso dizendo que ele é ruim, longe disso (existem críticas ótimas a respeito). Quando eu dou a minha opinião ela é intimamente ligada as minhas experiências anteriores e as minhas expectativas, e talvez eu tivesse expectativas demais, ou ainda estava com a cabeça em outro livro. Dessa forma, os demais livros da série estão na minha wishlist de leituras para que eu possa me aprofundar um pouco mais no tema e embasar  melhor a minha opinião.

A leitura é rápida, as letras grandes e o espaçamento entre parágrafos generoso. Eu recomendaria a editora uma revisão do texto, encontrei alguns pequenos erros de digitação (eu não leio procurando, mas as vezes eles pulam da página).

Recomendo esse livro se você tem um interesse no personagem Hannibal e quer descobrir mais. Se o assunto é novo pra você, quem sabe comece pelos outros livros, ou então pelos filmes. O filme do Hannibal Rising não é de todo fiel ao livro, existem algumas pequenas modificações, mas na essência a história é a mesma.

HANNIBAL

Extra:

Reler Hannibal me trouxe algumas associações interessantes, que eu não entendia quando li pela primeira vez. Por exemplo, quando é dito que a mãe de Hannibal é descendente dos Sforza, de Milão: um dos pontos turísticos mais famosos de Milão é o castelo Sforcesco, que hoje abriga diversos museus – e que visitamos em Março (post aqui). Enfim, é bacana você encontrar em um livro a citação de um lugar que você já visitou, ou sobre o qual você tem conhecimento. Deixa o contexto do livro mais interessante.

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