Resenha: Mestre Gil de Ham

Título: Mestre Gil de Ham (no original Farmer Giles of Ham)

Autor: J. R. R. Tolkien

Ano: 1949

Editora: Martins Fontes, 2003

Sinopse: Esta divertida história , escrita pela autor de ‘O Hobbit’, é ambientada no vale do Tâmisa, na Inglaterra, num passado maravilhoso e distante, quando ainda existiam gigantes e dragões. Seu herói, Mestre Gil, é na realidade um fazendeiro totalmente desprovido de heroísmo, mas que graças a boa sorte e a ajuda do cachorro Garm, da égua cinzenta e da espada mágica Caudimordax (ou Morde-Cauda), amansa o dragão Chrysophylax e ganha enorme fortuna.

Minha opinião:

Assim como Roverandom, Mestre Gil nasceu de uma história que Tolkien contou para entreter seus filhos. A partir disso, foi transcrita e muitas vezes reescrita, aumentada, levemente modificada, até chegar a uma versão final mais sofisticada que o conto inicial. Sendo assim, Mestre Gil de Ham é um livro originalmente infantil, mas sua versão final é cheia de sutilezas e alusões que agradam principalmente aos adultos. Leitura ótima, leve e divertida para todas as idades. Para os fãs de Tolkien, leitura indispensável.

O livro conta a história de Mestre Gil, um fazendeiro pacato, “um camarada lento, bastante acomodado no seu estilo de vida e absorto nos próprios assuntos” – praticamente um hobbit. A história não se passa na Terra Média, mas sim na Grã Bretanha, em uma época de fronteiras incertas e muitos reinos (Bernard Cornwell explora bastante essa temática).

Um dia, um gigante entrou nas terras de Mestre Gil e foi expulso através de um tiro de bacamarte*. Esse gigante fez uma certa propaganda da região, dizendo que era rica e farta, e um dragão resolveu averiguar. A população então pediu para que o herói Mestre Gil expulsasse também o dragão.  O dragão, subjugado por Mestre Gil, promete dar a sua fortuna aos habitantes da aldeia, mas para isso, precisa buscá-la em sua caverna. O Rei, sabendo da promessa do dinheiro do dragão, chega a aldeia querendo confiscar todo o tesouro. Obviamente o dragão não retorna a aldeia, e o rei envia Mestre Gil e seus cavaleiros a procura do dragão – e de sua fortuna.

Apesar de não ser ambientado na Terra Média, Mestre Gil tem muita similaridade com os hobbits, principalmente com Bilbo – no estilo ‘heróis improváveis’; e Chrysophylax tem semelhanças com Smaug (aquelas características clássicas atribuídas aos dragões, como o acúmulo de tesouros). Porém, ele é menos maldoso, e chega a ser até simpático.

A história mesmo é bem curtinha, daquelas de ler de uma vez só.  O que deixa o livro mais encorpado é a apresentação de uma versão anterior a versão final publicada, onde pode-se perceber as modificações feitas no texto, e também uma espécie de apêndice, explicando alguns termos e lugares utilizados no livro, além das ilustrações.

As ilustrações foram feitas por Pauline Baynes, cujo estilo medieval heróico-cômico combina muito bem com a narrativa. As figuras são lindas e deixam o livro muito mais interessante. Pauline também ilustrou ‘As Crônicas de Nárnia’, de C.S. Lewis (Tolkien e Lewis eram amigos).

* Um bacamarte é uma espécie de espingarda grande e gorda, com uma boca que se abre na ponta como uma corneta, que dispara com um estrondo incrível e às vezes acerta naquilo que se está mirando.

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