Resenha: O Andarilho

oandarilhoTítulo: O Andarilho – a Busca do Graal

Autor: Bernard Cornwell

Ano: 2002

Editora: Record, 2011

Sinopse: O Santo Graal, a relíquia sagrada da cristandade, inspirou muitas obras-primas da literatura. Tornou-se o mais mítico dos objetos, imortalizado no imaginário de todo o mundo ocidental. Sua lenda é normalmente ligada às histórias de Artur e seus cavaleiros, mas, desta vez, Bernard Cornwell transporta a saga de sua busca para o século XIV, em plena Guerra dos Cem Anos entre Inglaterra e França. ‘O Andarilho’ é o segundo capítulo desta aventura, iniciada com ‘O Arqueiro’. Após sobreviver a Batalha de Crécy, Thomas de Hookton, o valente arqueiro inglês, é enviado pelo rei numa missão na qual teria de descobrir mais sobre o legado do seu pai, que parece ligado ao Graal. Mas Thomas acaba envolvido na luta contra um exército invasor e, nas fileiras inimigas, descobre que há outros na trilha do objeto sagrado. Homens que não se deterão diante de obstáculo algum. Thomas, então, volta à sua aldeia natal em busca de um indício que possa colocá-lo no caminho certo. E encontra pistas que o deixam sob risco ainda maior e que apontam novas direções para a sua missão. Entre Arqueiros, mercenários, reis, monges, guerreiros, cardeais, inquisidores, nobres e lindas mulheres, Thomas atravessa a Europa e leva os leitores deste romance em uma viagem inesquecível pelo século XIV. Cornwell confirma com ‘O Andarilho’ a reputação conquistada com sua releitura das aventuras de Artur e seus cavaleiros. Um livro apaixonante sobre um dos períodos mais conturbados da história inglesa.

Minha opinião:

O Andarilho é, portanto, a continuação do Arqueiro, e se inicia logo após o término da Batalha de Crécy, quando Thomas, sua mulher e o Padre Robbe seguem para Durham para descobrir mais sobre o Padre Ralph, pai de Thomas. O Padre Ralph alegava ter possuído o Graal, por isso, Thomas resolve voltar a Hookton para descobrir mais sobre ele. Lá, recebe o diário de seu pai, e a partir daí, tenta desvendar os mistérios do diário e descobrir se ele era louco ou realmente tinha possuído o Cálice.

‘O Andarilho’ começa com outra descrição de batalha (baita descrição), a Batalha da Cruz de Neville, onde os escoceses, aliado aos franceses, atacaram a Inglaterra acreditando que todo o seu exército estava no norte da França. E termina com outra batalha, o cerco a La Roche Derrien, onde o Duque Charles de Blois foi capturado e feito prisioneiro. O que acontece entre essas duas batalhas é invenção do autor pra dar corpo ao romance.

Nesse livro o objetivo maior de Thomas realmente passa a ser a busca pelo Graal, mas ele acaba também ajudando seus amigos, o que toma bastante espaço na narrativa. Thomas é perseguido por um frade Inquisidor e pelo Arlequim, ambos interessados no Graal. Assim, os inimigos pessoais do personagem são realmente assustadores. Além da Inquisição, Thomas desperta o interesse de um cavaleiro falido, que o persegue porque sabe que ele está atrás de um thesaurusMeu Doce Jesus, eu realmente senti medo do Espantalho. Se no Arqueiro o inimigo pessoal de Thomas é meio bobalhão, no Andarilho realmente o negócio fica feio.

O estilo segue o mesmo do Arqueiro, bastante detalhista – principalmente nas batalhas – relatando a vida e os acontecimentos da época. Além das batalhas, que realmente aconteceram, esse livro traz também o panorama religioso, além do político.

Eu toquei, certa vez, na barba de São Jerônimo em Nantes; segurei um fio do rabo do burro de Balaão; beijei uma pena da asa de São Gabriel e brandi a própria mandíbula com que Sansão abateu tantos filisteus! Eu vi uma sandália de São Paulo, uma unha de Maria Madalena e seis fragmentos da verdadeira cruz… Dei uma olhada nos ossos dos peixes com que nosso Senhor alimentou as cinco mil pessoas, senti o corte afiado de uma das pontas de flecha que abateram São Sebastião e cheirei uma folha da macieira do Jardim do Éden.

O comércio de relíquias é abordado pelo autor, o que nos faz entender a incredulidade de Thomas quanto a sua busca. Os livros são bem divididos mas, não dá pra lê-los separadamente. Assim, o Andarilho segue a história do Arqueiro e deixa alguns mistérios, vinganças e o desfecho da busca para serem resolvidos no livro seguinte, o Herege. Porém, existe um encerramento para várias questões da história, e no livro seguinte partimos para novas aventuras na busca pelo Graal.

* Em Durham, Thomas beija o manto puído de São Cuthbert, que é citado também nas Crônicas Saxônicas, onde Uthred de Bebbanburg acaba beijando seu cadáver =X

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