Resenha: O Arqueiro

o-arqueiroTítulo: O Arqueiro – A Busca do Graal

Autor: Bernard Cornwell

Ano: 2000

Editora: Record, 2011

Sinopse: O Arco Longo, uma arma mortífera, tornou o exército inglês o mais poderoso da Europa no século XIV, quando o continente viu surgir um dos maiores conflitos armados de todos os tempos: A Guerra dos Cem Anos. O escritor Bernard Cornwell, apaixonado estudioso de história militar, parte desse episódio para escrever um de seus melhores romances, em que o jovem arqueiro Thomas, sem querer, é colocado na trilha do lendário Santo Graal. Thomas tem apenas 18 anos quando sua aldeia é atacada por um homem misterioso, conhecidos apenas como o Arlequim. Ele lidera um grupo de guerreiros com uma missão: roubar a Lança de São Jorge. Uma das maiores relíquias da cristandade. O jovem escapa e promete ao seu pai moribundo vingar-se dos agressores e recuperar o objeto precioso. Deixa o que restou do povoado e viaja para o outro lado do Canal da Mancha, onde se junta a grupos de arqueiros ingleses em permanente combate com os franceses. Começam, então, suas aventuras em campos de Batalha. O que ele ainda não sabe é que terá de enfrentar um grande mistério que assombra sua vida: os planos diabólicos do famigerado Arlequim, que podem afetar o destino de muitos reinos poderosos.

Minha opinião:

O Arqueiro foi o primeiro livro de Cornwell que li, nem lembro quanto tempo atrás. Não é meu favorito mas, mesmo assim, eu gosto muito. É a primeira parte da trilogia “A Busca do Graal”, que conta a história do Thomas de Hookton. Uma coisa bacana nessa trilogia é que os livros, apesar de constituírem uma única e bem amarrada história, são bem divididos. O autor sabe quebrar essa busca em 3 partes, que tem focos diferentes, então existe uma espécie de encerramento a cada livro e não ficam diversas pontas soltas para o próximo. Sem falar que os títulos acompanham muito bem essas três fases da busca do Thomas.

Esse primeiro livro é focado na vida de Thomas como um simples arqueiro. Começa lá na pequena aldeia de Hookton, quando o Arlequim rouba a lança de São Jorge. Assim, nesse primeiro livro, temos um objetivo ‘menor’ a ser alcançado: recuperar a lança. Nessa busca, Thomas se junta ao exército inglês e participa do cerco a La Roche Derrien, ajuda a devastar a região próxima (chevauchée), participa da invasão a Caen (onde descobre mais sobre a sua família e sobre sua demanda) e da Batalha de Crécy. Portanto, um pouquinho antes do fim do Arqueiro é que começa a busca pelo Graal, o tema central nos próximos dois livros.

Praticamente toda a terceira parte do livro é dedicada a batalha de Crécy – 1346, o primeiro grande confronto da Guerra dos Cem Anos (Cornwell também escreveu sobre a Batalha de Azincourt, 1415). O exército inglês estava em menor tamanho, mas Cornwell descreve com maestria a batalha e a sucessão de eventos que levou os ingleses a vitória: a escolha do terreno em aclive que restringia o ataque do exército francês, a utilização do arco longo, a chuva que dificultou o avanço do exército inimigo, as armadilhas feitas pelos ingleses para diminuir a força dos ataques de cavalaria…

No final do livro encontramos uma pequena nota história, onde o autor esclarece quais as ações do livro foram pura invenção. Nesse caso, muito pouco foi invenção. Os cercos, as invasões, as batalhas aconteceram mesmo.

Como eu citei em Azincourt, no Arqueiro também existem aqueles ingredientes mágicos da literatura Cornwell: o personagem que começa zé ninguém e depois descobrimos que é de família nobre, o guerreiro canastrão que a gente adora, o inimigo pessoal do personagem (pra rolar uma emoção, uma ameaça mais próxima), o padre que arregaça a batina por uma boa briga, as belas mulheres… É um livro interessante pela parte histórica, mas interessante também pelo desenrolar da história, pelos personagens.

O estilo de narrativa  do autor é bastante descritiva. E eu adoro. Eu acho que isso contribui pra criar um contexto – pra deixar a narrativa mais real. Acho que todas essas descrições trazem mais credibilidade pro texto e também pro personagem (foi justamente essa falta de atenção aos ‘detalhes’ que me incomodou no Assassin’s Creed). Assim, além de acompanhar o personagem e a sua história, nós também podemos acompanhar a vida na época, e eu acho isso fantástico. É aprender um pouco mais sobre os fatos históricos sobre uma outra ótica, é se colocar na posição do personagem e experimentar a sensação de viver aquela época – inclusive nos seus aspectos ruins.

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