Resenha: O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados

fabulosomauricioTítulo: O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados

Autor: Terry Pratchett

Ano: 2001

Editora: Conrad Editora do Brasil, 2004

Sinopse: No fantástico mundo do Discworld, até mesmo os contos de fadas fogem do lugar comum. Ali, o flautista não é mágico, os ratos são inteligentes e tudo não passa de uma armação orquestrada por um gato – o Fabuloso Maurício. É ele quem comanda as legiões de ratos falantes – seus roedores letrados – e manipula um garoto-com-cara-de-bobo que toca flauta. O grupo viaja de cidade em cidade aplicando um engenhoso golpe: os ratos simulam uma praga na cidade, fuçam nas coisas, roem os pertences das pessoas, roubam a comida…Um deles até faz um número de sapateado! O prefeito resolve chamar um flautista rateiro para acabar com a praga. Quem? o garoto-com-cara-de-bobo, é claro. Por um bom dinheiro, ele faz o serviço. Mas tudo começa a dar errado quando o grupo chega a uma estranha cidade. Lá, os caçadores de ratos comandam um esquema diferente, muito mais sinistro. Algo de muito ruim os espera nos porões da cidade, onde os roedores letrados aprenderão um novo significado para a palavra maldade.

Minha opinião:

Terry Pratchett é um escritor inglês cujas histórias se ambientam em um mundo em formato de disco, sustentado por quatro elefantes que estão nas costas de uma gigantesca tartaruga que vaga pelo universo. Não vou me estender no conceito agora, porque ‘O Fabuloso Maurício’ está para o Discworld assim como ‘Os Contos de Beedle, O Bardo’ está para Harry Potter. É como um conto de fadas do Mundo Disco. Se não fosse uma menção a ‘Universidade dos Magos’, a gente poderia dizer que essa história nem se passa no Discworld.

O Fabuloso Maurício é a versão de Terry Pratchett para o conto  ‘O Flautista de Hamelin’, escrito pelos irmãos Grimm. No conto, a cidade de Hamelin é infestada por ratos, e um caçador os hipnotiza com a flauta e os afoga no rio Weser. O povo da cidade se nega a pagá-lo e ele retorna, dias depois, hipnotizando todas as crianças e as trancando em uma caverna.  Diz-se que na história original, que remonta a Idade Média,  o flautista dá as crianças o mesmo destino dos ratos. No livro o autor até faz uma brincadeirinha, citando duas irmãs escritoras, as irmãs Grima.

Mas o enredo não se concentra somente nessa ‘nova interpretação’ do conto dos irmãos Grimm. Ele explora a súbita inteligência dos ratos (que ficam inteligentes porque consomem o lixo da Universidade Invisível), e de repente passam a se questionar sobre quem são, qual seu lugar no mundo, para onde vão. E com isso, acompanhamos o nascimento de um esboço de religião, a crença em um Grande Rato que vive debaixo da terra e que os acolherá no fim de tudo. Com a inteligência, também vem a necessidade de criar regras para o convívio social, de registrar essas regras, e de lidar com a consciência! Ah, como era mais fácil viver só com os instintos!!!

– Então – disse o rato que tinha levantado a questão sobre a parte invisível – , quando você acorda, aonde vai a parte que sonha? Quando você morre, aonde vai parar aquela parte que está dentro de você?

Mas não são só os ratos que precisam aprender a lidar com inteligência e consciência. O livro explora também o dilema e a culpa de Maurício, que agora pode se confrontar com um jantar consciente e falante! Pra quem gosta de gatos, os dilemas de Maurício são muito engraçados!

Gatos não andam por aí se sentindo arrependidos! Ou culpados! Nós nunca nos arrependemos de nada! Sabe qual a sensação de dizer “Olá, comida, você sabe falar?”. Não é assim que se espera que um gato se comporte.

Enfim, é uma ótima leitura estilo Terry Pratchett só que voltada para um público infantil. Acho que as crianças podem gostar pela história em si, pela inversão de papéis do conto tradicional, e os adultos podem se divertir com todas essas referências a consciência, moralidade e sociedade.

Extra:

O nomes dos ratos são hilários. Meus favoritos são Perigoso Feijão e Bronzeado Intenso.

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