Resenha: O Inimigo de Deus

oinimigodedeusTítulo: O Inimigo de Deus – As Crônicas de Artur II

Autor: Bernard Cornwell

Ano:  1996

Editora: Record, 2012

Sinopse: Artur saiu vencedor da sangrenta Batalha do Vale do Lugg e conseguiu seu objetivo: unificar os reinos da Britânia sob um juramento de fidelidade ao jovem rei Mordred. Chegou, então, a hora de um confronto definitivo contra os saxões, para expulsá-los de uma vez das terras britânicas e alcançar uma era de paz e prosperidade. Mas um grande conflito pode atrapalhar seus planos: a luta entre os antigos deuses e os cristãos. Para Artur, não importa se a nova religião vencer, desde que isso não atrapalhe seus objetivos. Um homem, porém, jamais se esquecerá da antiga fé: Merlin. Se ele conseguir reunir os treze objetos sagrados da Britânia, espalhados quando os romanos devastaram Ynis Mon, a Ilha Abençoada, os deuses serão restaurados, os saxões serão lançados ao mar e o cristianismo será apagado até o último vestígio. O mais poderoso desses objetos é um caldeirão mágico. Para recuperá-lo, Merlim deverá partir em uma jornada que o levará a lugares perigosos e desconhecidos. Nessa viagem, contará com o auxílio de sua magia e da espada de Lorde Derfel, um dos mais poderosos guerreiros de Artur, que segue com ele rumo aos confins da terra em busca do Tesouro. O caos, porém, toma conta de toda a Britânia. E de onde menos espera, Artur recebe golpes duríssimos, que põem em risco sua vida, família e todos os planos para o reino. O Inimigo de Deus dá seguimento ao sucesso de O Rei do Inverno, levando ao leitores a vida de Artur e seu mundo com uma nitidez espantosa jamais conseguida em outras narrativas. É a história de um homem que luta por seus ideais em uma era brutal, prejudicado por suspeitas e magias do passado, rodeado por intrigas, e que depende apenas de sua habilidade na guerra e de seu talento para a liderança. Um romance empolgante que revela fatos históricos sobre Artur e seu mundo, imortalizados por bardos que há séculos cantam e contam as aventuras do maior herói de todos os tempos.

Minha opinião:

O Inimigo de Deus é Bernard Cornwell chutando bundas 😉

Nessa continuação, a história é retomada exatamente no final do Rei do Inverno. Nesse livro a trama passa a se concentrar em dois embates: britânicos contra saxões; cristianismo contra paganismo. Assim como no primeiro livro, a história é contada por Derfel, amigo de Artur. No início acompanhamos o Derfel bagunçando os frágeis arranjos de Artur e, assim, se comprometendo com Merlim na busca do Caldeirão, o mais poderoso dos Tesouros da Britânia.

‘É um mundo terrível. Sem queijo, sem honestidade e sem cajado.’

Assim que retorna da busca ao Caldeirão, Derfel se reúne a Artur e seu exército e se inicia o embate com os saxões. Não é uma super batalha (como diria Derfel depois: durou 10 minutos), e Artur tem sucesso, mas o resultado final passa longe do esperado por Artur – graças ao bocaberta do Lancelot. Ele deixa de ser um simples idiota vaidoso para conquistar o ódio do leitor.

De qualquer forma, a situação é controlada e a Britânia tem alguns anos de paz. Nesses anos, Artur faz uma tentativa tola de unir os principais homens da Britânia através de uma irmandade, depois conhecida como a Távola Redonda, e acompanhamos o crescimento de Mordred (criancinha mau caráter) e sua preparação para ocupar o trono.

E é nesse período de paz que os inimigos de Artur se aproveitam para tramar sua vingança. E aqui entra a questão do embate entre religiões. Artur não se declara a favor de nenhuma religião, mas os cristãos se ressentem dele por ter pego dinheiro da Igreja pra financiar suas guerras. E assim, seus inimigos organizam um levante,  com o objetivo de colocar em seu lugar um governante cristão. 

‘A Britânia sofre de duas doenças… o cristianismo se espalha mais rápido do que os saxões, e os cristãos são uma ofensa maior aos nossos Deuses do que qualquer saxão.’

De qualquer forma esse livro também tem uma espécie de encerramento pra várias questões, e no final, encontramos um Artur mais duro e menos crédulo, pronto pra colocar ordem no caos da Britânia. Nesse livro também encontramos a história de Tristan e Isolda, entrelaçada com a história de Artur, assim como conhecemos o dia a dia da época, os hábitos e as crenças do seu povo, contextualizando toda a história.

O Inimigo de Deus é uma sucessão de socos no estômago do leitor. É marcado por muitas traições, de forma que a ordem que Artur tanto ama é esquecida, e passa a predominar o caos na Britânia. Por isso, é difícil falar dele sem largar spoilers. O que eu posso dizer é que apesar das suas 513 páginas, a leitura flui com mais rapidez do que no Rei no Inverno. E isso acontece porque a história toma um rumo muito surpreendente – é a terceira vez que estou lendo esse livro e, mesmo assim, consigo ficar surpresa (baita memória que eu tenho =P).

Resumindo: Leitura fantástica! Continuamos amando alguns personagens, odiando outros, torcendo pro Derfel (e seu ossinho de porco), acompanhando a sabedoria e o humor do Merlim, nos surpreendendo com o destino de alguns personagens e aguardando ansiosamente o desfecho dessa história.

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