Resenha: O Rei do Inverno

reidoinvernoTítulo: O Rei do Inverno – As Crônicas de Artur I

Autor: Bernard Cornwell

Ano: 1995

Editora: Record, 2012

Sinopse: Artur, ao longo de séculos, transformou-se no maior de todos os heróis da literatura e num dos personagens míticos mais presentes em nosso imaginário. Mas, depois de muitas versões de suas aventuras, sua verdadeira história perdeu-se nas brumas do tempo. Quem foi na verdade o homem Artur? Onde foi seu reino? Existiram mesmo os cavaleiros da Távola Redonda? Em que época combateu? Para que Deus enviou suas preces? Que mulheres realmente amou? Apaixonado desde a infância pelas aventuras de Artur e seus cavaleiros, o escritor Bernard Cornwell resolveu pesquisar a figura histórica desse herói. A partir de recentes descobertas arqueológicas, criou a mais emocionante saga protagonizada pelo imortal personagem: As Crônicas de Artur, que se inicia nesse romance, O Rei do Inverno. Artur, na realidade, nunca foi rei. Era, sim, o filho bastardo do Rei Uther, que se transformou no principal líder militar britânico no século V. Após a saída dos romanos da ilha, a Britânia viveu um período conturbado, durante o qual seus habitantes lutavam pela posse da terra de seus ancestrais contra os invasores saxões. Uma época, também, em que os velhos deuses tribais dos druidas resistiam ao domínio dos cristãos e procuravam recuperar o prestígio e o poder perdidos durante a ocupação romana. Numa terra dividida entre diferentes senhores feudais e seus respectivos interesses e ameaçada pela invasão dos bárbaros, Artur emerge como um guerreiro corajoso e poderoso capaz de inspirar lealdade e unir o país. Uma personalidade complexa, impelida por honra, dever e paixão, que nos é apresentada de maneira jamais vista antes. Um romance que já nasce como a melhor versão da lenda de Artur escrita em muitos anos. Uma história que vai ser recontada inúmeras vezes por bardos modernos em todos os cantos do mundo.

Minha opinião:

Essa, com certeza, é minha versão favorita da história de Artur. Ela é baseada em fatos e descobertas arqueológicas, sendo assim, uma história mais próxima da realidade. Por causa disso, os personagens são mais reais e a história é mais verossímil. Além disso, é escrita pelo Bernard Cornwell, de quem sou fã e gosto muito do estilo de escrever.

‘o Artur que cansa a língua dos bardos’

Como eu comentei na resenha das Brumas de Avalon, as histórias de Artur são sempre permeadas por duas questões importantes: a luta contra os saxões, e a disputa entre o cristianismo e o paganismo.

Nesse primeiro livro das Crônicas de Artur, esses assuntos estão presentes em toda a narrativa, mas não são o foco. No Rei do Inverno, Artur precisa unir os povos da Britânia contra seu inimigo comum. Artur não é rei, é um dos guardiães de Mordred, o rei criança, e com o tempo passa a ser seu principal guardião. Seu dever é garantir que, no tempo certo, Mordred ocupará o trono.

Assim, no Rei do Inverno, não temos lutas com os saxões. Eles estão sempre ali, ‘cutucando’,  são uma ameaça e uma preocupação permanente, mas não há confronto direto. Artur compra a paz de um dos líderes para poder resolver os problemas internos do seu país. A questão do cristianismo e do paganismo também é apresentada nesse primeiro livro: somos apresentados ao Bispo Sansum, que acaba sendo o representante do cristianismo nessa ‘disputa’, bem como conhecemos Merlim e Nimue, sua sacerdotisa, que buscam reunir os Tesouros da Britânia para convocar novamente os deuses à terra.

Assim, esse é um livro bastante político, e acompanhamos as discussões, parcerias e alianças entre os governantes dos diferentes reinos da Britânia, e o arranjo delicado que Artur faz para uni-los. Mas nem por isso é um livro chato, pelo contrário: nesse primeiro livro acontecem várias coisas interessantes enquanto Artur planeja a sua paz. Até porque o livro é contado por Derfel, um escravo saxão que é amigo e comandante de Artur, e acompanhamos também a vida dele, que é bastante interessante, já que ele é um guerreiro, foi criado por Merlim e é amigo de Nimue. E também tem batalhas! quem já leu Cornwell sabe que ele descreve como ninguém uma batalha.

Nesse livro conhecemos todos os personagens principais, e eles podem diferir bastante do que estamos acostumados. Essas surpresas deixam a história com uma cara nova – e por isso esse livro é surpreendente mesmo pra quem já conhece a história do rei Artur. Não vou me aprofundar nas características dos personagens, porque pretendo fazer um post só sobre isso depois das resenhas das Crônicas de Artur.

Mas preciso dizer que o Merlin desse primeiro livro me lembra muito o Gandalf no ‘Hobbit‘: sábio, sempre aparecendo em momentos de extrema necessidade, com um humor inteligente, as vezes fingindo ser um velho que precisa de amparo, e dizendo coisas do tipo : ‘não seja mais tolo que o necessário’.

Assim como na Busca do Graal, as Crônicas de Artur tem uma espécie de encerramento bacana para cada um dos livros: é uma história única, super bem conduzida, mas é como se olhássemos um problema de cada vez, e assim cada livro tem um foco. O final desse livro deixa claro que Artur encerrou uma tarefa para agora poder se dedicar a outra. E no final do livro encontramos a ‘Nota do Autor’, onde ele explica quais as fontes utilizadas, quais descobertas o inspiraram e de que forma ele construiu essa história.

‘Minha crença é de que a Grã-Bretanha de Artur era um lugar tão assolado pela divisão religiosa quanto pela invasão e a política.’

Resumindo: É um livro ótimo, bastante longo (não é exatamente uma leitura que flui com rapidez), onde a história de Artur vai se entrelaçando com a de outros personagens, e assim sempre tem algo interessante e surpreendente acontecendo: batalhas, paixões, traições…

Eu simplesmente amo esse livro: é impossível não gostar dos personagens – é impossível não gostar imediatamente do Merlim. Enfim, é uma leitura que eu recomendo mesmo. Acho que se eu não gostasse tanto de Tolkien, As Crônicas de Artur seriam meus livros favoritos.

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