Resenha: O Vampiro Rei

vampiroreiTítulo: O Vampiro Rei (vol. 1 e 2)

Autor: André Vianco

Ano: 2003 (Vol. 1) e 2005 (Vol. 2)

Editora: Novo Século (2008)

Sinopse: Vol 1: Lúcio, o escravo de Cantarzo, carrega seu mestre vampiro encerrado numa caixa de madeira. Sua missão é levá-lo até Tereza, uma bruxa que vive ao norte do Brasil, que fará com que Cantarzo desperte e se torne o rei dos Vampiros. Com poucas pistas sobre o real paradeiro da tal bruxa, o lacaio do vampiro começa uma jornada que trará resultados nefastos caso alcance seu objetivo. Do lado dos humanos, Bento Lucas faz crescer em seus semelhantes a chama da esperança, empurrando-os pelos trilhos da reconquista do país até então assolado pelos inimigos noturnos. Os destinos de Lucas e de Cantarzo estão a ponto de se cruzar e nas páginas de O Vampiro-Rei o leitor se encontrará com um mundo fantástico e assistirá de camarote todo o desenrolar dessa saga inigualável, imaginada e conduzida por André Vianco, o talentoso contador de histórias que vem se destacando no campo da literatura fantástica brasileira.

Vol. 2: Bento Lucas, o guerreiro de luz, e Cantarzo, o vampiro-rei, finalmente encontram-se e protagonizam o grande combate. O Vampiro-Rei vol.2 é o tomo mais recheado de aventuras, combates e criaturas fantásticas de toda a saga iniciada em Bento. Com uma narrativa envolvente e atual, a saga do guerreiro Lucas é presente certo para aqueles que buscam se apaixonar pelo hábito da leitura e também para aqueles que já se amarram em literatura há muito tempo. Bravura e determinação, medo e morte, paixões avassaladoras, criaturas assombrosas, personagens destemidos, situações de completo desespero e momentos de quietude e introspecção. De tudo um pouco e na dose certa. Impossível não correr os olhos para a página seguinte. André Vianco  não é só certeza de boa leitura como também é garantia de uma deliciosa e nova experiência. Embarque em ‘O Vampiro-Rei‘ e conheça essa história. Conheça um mundo novo. Boa viagem!

Minha opinião:

A história é mais ou menos assim: depois de uma determinada ‘noite maldita’, vários humanos caíram em sono profundo e a terra foi dominada por vampiros. Os humanos que sobraram em sã consciência se agruparam em fortificações para se proteger dos ‘noturnos’. Depois de 30 anos, desperta o trigésimo Bento, um guerreiro capaz de juntar todos os demais e levar os humanos para a vitória contra os vampiros.

A primeira coisa que eu ia comentar é que eu queria mais explicações sobre essa ‘noite’ e como tudo sucedeu… mas aí eu descobri que isso é contado em outro livro, chamado Bento, então, fica a dica. O Vampiro-Rei é uma história contada em dois livros, mas rola uma resenha só porque a história é contínua, tanto que o livro 2 começa no capítulo 39.

O que eu mais gosto desses livros é que é uma história de vampiros que se passa no Brasil (e escrita por um brasileiro). A linguagem é muita próxima da nossa realidade, tem palavras e expressões bem populares, que usamos no nosso dia a dia. Essa ambientação no Brasil deixa a história com um contexto muito familiar pra quem é brasileiro: não é só a linguagem, mas também a localização, as referências, o estilo de vida retratado. Eu acho muito legal quando os despertos lembram do passado e de coisas que faziam parte da vida deles (e que hoje fazem parte da nossa): Jornal Nacional, Havaianas, Carrefour, Boticário… A gente lê tanto livro escrito por autores estrangeiros que fazem referências a sua terra e sua cultura, e as vezes a gente fica boiando. É legal ler um livro de fantasia que traz referências da nossa cultura, do nosso cotidiano.

Os vampiros do Vampiro-Rei tem visão e audição mais aguçadas, força sobre-humana, se locomovem saltando de árvore em árvore, e isso me lembrou Crepúsculo – mas nada de frescuragem de brilhar no sol:  no sol eles torram mesmo, até virar cinza, e morrem com prata, como sempre. Mas precisei desconstruir minha imagem de vampiro elegante e mortal. O vampiro brasileiro é cabra da moléstia.

Eu gosto bastante do primeiro livro, no final tem uma sequência bem emocionante, e história vai se encaminhando pra um desfecho legal. Mas, na minha opinião, ela desanda no final. Eu realmente não gosto do final da história, achei que o autor desceu a mão no exagero, criando relações e acontecimentos (e revelações) que não eram necessários. Até então eu achei que a história estava bem equilibrada, sem ser fantasiosa demais, mas sem ser demasiado realista.

Mesmo sem gostar do final, eu gosto bastante desses livros e recomendo a leitura. Acho eles bem ‘honestos’: uma linguagem simples, uma história boa, personagens legais, momentos de ação e de apreensão, surpresas, uma batalha épica… Sem falar que é uma experiência diferente, ler sobre uma invasão vampírica no Brasil!

Essa versão que eu tenho tem vários erros, tipo: ‘nome repetido e entoado em couro’. Quando são vozes é coro. Couro é de boi, é couro cabeludo. Sem falar em dois deslizes na história que reparei: no Vol.1, na página 162 conhecemos Janete e Orfeu, dois vampiros. Na página 223, eles viram Janete e Orlando. Oi? Trocar o nome do personagem assim, no meio da história… não entendi.

No vol.2, na página 380, é dito que o bebê Jordão, deitado no carrinho, depois de ter ‘chorado horas a fio por culpa das cólicas…’. Na Página 464, é dito que Thamires nunca ‘tinha escutado um  barulho sequer escapar das suas gargantas’, dando a entender que os bebês ainda eram mudos. Acho que essas coisas merecem uma revisão (que talvez já tenham sido feitas, meus livros são reimpressões de 2008).

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