Viajando pra Moscou: aspectos práticos

Quem me segue no Instagram (única rede social que eu atualizo com frequência – procure lá, é Gnomonique mesmo), viu que eu passei o feriadão de Páscoa em Moscou, capital da Rússia. É um destino um pouquinho “exótico” que gerou uma certa curiosidade e apreensão na família, então hoje eu vou contar um pouco sobre essa viagem.

Por que Moscou?

Pra quem não sabe, o feriado de Páscoa aqui é um super feriado, porque folgamos na sexta e também na segunda. Então é uma oportunidade imperdível pra fazer uma viagenzinha de 4 dias – mas também é uma época em que as passagens aéreas ficam com um preço absurdo. Nessa Páscoa conseguimos passagens promocionais pra Moscou, e como já tínhamos cogitado visitar a cidade antes, achamos que era o momento certo. Até porque Moscou não é exatamente ali do lado (3h30 a partir de Genebra), então uma viagem de final de semana é inviável.

Moscou é uma cidade segura?

Essa é a pergunta que mais ouvimos antes de viajar. E sim, MOSCOU É UMA CIDADE SEGURA, muito mais segura que Brasil. Claro que não pode ficar dando bobeira com suas coisas, principalmente na muvuca no metrô, mas isso vale pra qualquer lugar do mundo. Não passamos por nenhuma situação estranha e não sentimos medo, mesmo andando na rua de noite ou mais longe do centro. Aliás, nos chamou a atenção a quantidade de policiais que vimos nas ruas: tem policial por tudo! Perto dos pontos turísticos, nas entradas das estações de metrô, nas plataformas, andando de metrô, nas ruas, nas viaturas… E tem muita gente na rua também, mesmo a noite.

Como chegar lá?

Nós chegamos lá pelo aeroporto Domodedovo, um dos principais aeroportos de Moscou e o maior da Rússia em termos de tráfego de passageiros. O AEROEXPRESS é um trem que faz a ligação do aeroporto até a estação Paveletskaya, onde passa a linha marrom e a linha verde do metrô (e, fazendo as trocas necessárias, você chega aonde quiser). No aeroporto, é só seguir as indicações que você chega fácil no Aeroexpress. Você pode comprar a passagem nas máquinas (tem opção inglês) ou nos guichês – e a passagem custa 450 rublos por pessoa (25 reais, hoje). O trem é vermelho e está super bem sinalizado, e você não precisa se preocupar porque ele não tem paradas intermediárias entre o aeroporto e a Paveletskaya.

Imigração

Nós, brasileiros, não precisamos de visto pra entrar na Rússia pra fazer turismo (simples assim). Mas quando você chega lá, você passa pelo guichê de imigração e ganha um carimbo na última folha do seu passaporte e um papel (immigration card), que é recolhido na saída. O processo todo é super tranquilo: só me perguntaram de que aeroporto eu estava chegando e se eu era turista; depois eu assinei as duas vias do immigration card. Até o Henrique, que estava cultivando uma barba porta objetos não teve problemas (o funcionário ficou confuso entre a foto do passaporte e a pessoa, mas levou no bom humor).

Transporte

Usar o metrô em Moscou é a melhor forma de se locomover pela cidade. E não se assuste com o que algumas pessoas falam, usar o metrô lá é super tranquilo. Pra começar, você identifica as estações pelo M vermelho. Pra comprar as passagens, é só indicar com os dedos a quantidade de passagens que você quer para a atendente e entregar o dinheiro. Você pode comprar o bilhete individual (1= 50 rublos), ou então cartões com mais passagens que podem ser compartilhados (20 = 580 rublos), e esses cartões também funcionam nos trams e nos ônibus. Não banque o turista sem noção e fique pedindo mil coisas em inglês – elas não vão entender. Depois, é só aproximar o cartão das catracas e entrar (o display mostra quantas passagens você ainda tem). As estações são muito profundas e muito bonitas, mas falarei disso em outro post. E para se movimentar dentro das estações é só seguir o fluxo – ele sempre existe.

  • Veja aqui o post sobre as estações de metrô!

As linhas do metrô são numeradas e cada uma tem sua respectiva cor, então é só ficar de olho no chão (tem adesivos grandes, que as vezes somem debaixo de tanta gente) e nas paredes que você vai encontrar indicações com a direção que tem que pegar pra chegar na linha que você quer. Chegando na linha, você tem que saber em que sentido pegar. Nessa hora, vale a pena ter se familiarizado um pouco com o alfabeto cirílico, pois não tem infos em inglês. Num geral, assim que você chega na plataforma você encontra uma placa branca que informa quais as estações que a linha vai servir em cada sentido (direita ou esquerda). Não encontramos nenhuma estação que diferenciava o sentido somente pelo nome da estação final. Aí é só você procurar nessa placa a estação que você quer. O Henrique tava mais esperto nos esquemas do cirílico e achava com mais facilidade, mas eu apelidava as estações conforme a minha “leitura” do cirílico e conseguia achar igual.

E se você demorar um pouquinho pra encontrar o nome da estação e perder o metrô, não se preocupe. Vai passar outro em 1 minuto. Moscou é a única cidade do mundo onde não esperamos pelo metrô, porque tem metrô toda hora – até no sábado e domingo.

Dentro do metrô, pra não perder a parada, vale ficar atento aos avisos sonoros – muitas vezes a pronúncia é bem próxima da forma que a gente lê o nome das estações em inglês e fica fácil identificar. Em alguns metrôs, tem um desenho da linha em cima da porta, com os nomes em russo e em inglês, e você pode acompanhar pelas luzinhas o progresso do metrô. Em outros, tem uma tela do lado do desenho da linha onde aparecem avisos em inglês com o nome da estação onde o metrô está e qual o nome da próxima parada… Em metrôs mais velhos não tem nada, mas aí é só contar quantas estações você tem que andar e dá certo também. Pode não ser tão fácil quanto o metrô das outras cidades, mas tá bem longe de ser complicado.

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Estação de Metrô

Dinheiro

Bom, é praticamente impossível conseguir rublos fora da Rússia. Então o negócio é levar Euros ou Dólares e fazer a troca lá mesmo. No Aeroporto você já encontra casas de câmbio (as primeiras que encontramos, logo pertinho de onde se pegam as malas, tinham uma cotação péssima – no saguão as coisas ficavam melhores) e caixas eletrônicos onde você pode sacar rublos (os caixas são verdes). Nos shoppings também é fácil encontrar caixas eletrônicos, e na rua nós vimos algumas casas de câmbio com uma cotação muito boa, mas que eram muito estranhas.

Não achamos que turistar na Rússia é exatamente barato. Alguns itens, como hotel e transporte, saíram bem em conta. Mas alimentação e entradas nos pontos turísticos acabaram custando um pouco caro.

Idioma

Quase ninguém fala inglês: fato. Aceite que dói menos. E isso dificulta um pouquinho as coisas, principalmente se você precisa de uma informação, por exemplo. O negócio é se virar, apontar, fazer mímica… e tudo dá certo.

Clima

Vale ficar de olho na previsão do tempo antes de viajar. Na sexta feira, quando chegamos, nevou simplesmente o dia inteiro! Apesar de ser Páscoa, primavera e coisa e tal, ainda pegamos temperaturas negativas por lá (mas nada absurdo não). O lado bom é o que os dias já estão mais compridos, então aproveitamos mais.

Alimentação

Opções não faltam. Se você não está afim de encarar um restaurante local com um garçom que, muito provavelmente, não fala inglês, tem McDonalds, Burger King, Subway, KFC, Shake Shack, Le Pain Quotidien, Dunkin Donuts… Bom, as pessoas também não vão falar inglês, mas a comida é conhecida e é mais fácil apontar pra coisas. No McDonals, você pode ir direto pras telas de auto-atendimento, que tem opção inglês (e o café da manhã é ótimo). Quanto as redes locais, muitas pessoas indicam a MY MY (lê Mu Mu), mas foi a nossa pior experiência em Moscou: a comida estava terrível e foi a nossa refeição mais cara. Nós recomendamos comer na Teremok (mas você vai ler Tepemok), uma rede que vende panquecas muito gostosas e com um precinho bem ok. Pra facilitar, peça o menu em inglês (angliski) e aponte pras coisas. No shopping GUM, que fica na Praça Vermelha, tem um restaurante no último andar (procure pelos guarda sóis coloridinhos), que também dá pra comer bem e baratinho.

Compras

Se tem uma coisa que esse russos gostam é shopping! Só na sexta feira encontramos três, meio sem querer. Não encontramos muito comércio de rua (mas talvez porque não fomos nos lugares certos), então os shoppings são as melhores opções pra comprar e também pra comer. Tem Zara, Mango, Stradivarius, The Body Shop, Lush, MAC, Adidas, Bershka, Inglot, Pandora, Calvin Klein… enfim, todo um mundo de marcas. Apesar de toda essa oferta, os preços não são nada convidativos. Com certeza dá pra conseguir preços melhores em outros países da Europa, até na Suíça (e olha que a Suíça não é barata). Por conta disso, acabei não comprando basicamente nada.

Turismo

Moscou é uma cidade muito grande e cheia de atrações turísticas. Claro que as principais estão “condensadas” nos arredores da Praça Vermelha, o que facilita bastante. Eu vou contar o que visitamos num post futuro, só de pontos turísticos, mas posso adiantar que não é muito barato turistar por lá. Tem que pagar pra entrar em praticamente tudo, e não é um precinho muito amigo não. Fora isso, faltam sinalizações básicas (plaquinhas simples indicando ‘entrada’ por exemplo) que poderiam facilitar muito a vida dos turistas. Dá pra se virar tranquilo, mas ficamos com a sensação de que a cidade não está preparada – e não tem a intenção de se preparar – para o turismo. Alguns sites estão incompletos ou com informações erradas, alguns museus só disponibilizam informações em russo, alguns lugares não abrem e não avisam porquê… pequenas coisinhas que dificultam um pouquinho a vida do turista. Quem sabe isso tudo muda pra Copa…

Aqui estão os posts com o que visitamos por lá:

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Hospedagem

Não posso falar sobre a hotelaria num geral, mas posso contar sobre a nossa experiência. Ficamos no Azimut Tulskaya, pertinho da estação de metrô Tulskaya (pronuncia, mais ou menos, Tulshke), na linha cinza. Reservamos com uns dois meses de antecedência e pagamos bem baratinho, cerca de R$ 105 noite. O hotel é muito bom, muito limpinho e as recepcionistas falam bem inglês. Até a estação de metrô rola uma caminhadinha por uma parte não muito linda, mas se preferir, dá pra fazer esse trajeto com o tram que para bem em frente ao hotel (e paga 1 passagem a mais, não tem integração com o metrô). Tem um Subway bem do lado do hotel e na estação Tulskaya tem um shopping bem grande, com supermercado, várias opções de lojas e fast food.

Pessoas

As pessoas são bem normais, num geral. Não espere muita simpatia e cortesia e estará tudo ok. Não que as pessoas sejam mal educadas ou impliquem com você, é simplesmente o jeito delas. Você percebe que eles são um povo mais fechado mesmo, mais frio. Aqui na Suíça nós aprendemos a dar bom dia – boa noite – obrigado- tchau pra todo mundo, e quando você chega lá e repete esse comportamento, recebe uns olhares muito estranhos. Mesmo as pessoas que trabalham com atendimento, nos pontos turísticos por exemplo, são meio mal humoradas. É estranho e, de certo modo, faz a gente se sentir um pouco mal.

Também percebemos, principalmente no metrô, uns momentos de ‘falta de modos’. Tá todo mundo na correria, na pressa, e se eles tiverem que te empurrar pra passar, eles vão empurrar mesmo. Não espere ouvir um “com licença” ou um “por favor”, o negócio pode ser meio bruto. As pessoas também tem uma mania terrível de parar logo na porta do metrô, dificultando a entrada e saída das outras pessoas.

E a Zoeira?

Sendo o Paraná a Rússia brasileira, o que esperar da Rússia de verdade? Bom, encontramos muito menos zoeira do que a gente imaginava. Passamos sim por algumas situações engraçadas, tipo pessoas usando pombas amestradas e coelhos na rua pra pedir dinheiro, e locais de alta tensão pintados com desenhos infantis ao invés de caveirinhas… mas nada exagerado. E não encontramos ninguém bêbado na rua.

Uma curiosidade…

Metrô lotado, pessoas preocupadas unicamente com o seu umbigo, muitos shoppings, infra estrutura de turismo meio precária, pessoas que não falam inglês… isso não te lembra alguma coisa? Tipo o nosso Brasil sil sil? Bem, pode parecer engraçado, mas achamos que a Rússia está muito mais próxima do Brasil do que outros lugares que já visitamos…

É isso! Dentro em breve eu volto aqui contar o que conhecemos por lá! Agora vou ficar um tempo sossegada em casa e vou ter tempo pra colocar o blog em dia 😉

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