Viajando pro Japão: aspectos práticos

Então nós passamos 9 dias no Japão e eu já contei aqui um pouquinho das nossas motivações pra conhecer o Japão e também um pouquinho das curiosidades que vimos por lá. E hoje eu vou contar um pouquinho mais dos aspectos práticos, em um post semelhante ao que fiz quando fomos pra Moscou, o Viajando pra Moscou: aspectos práticos.

A viagem com a Swiss

A viagem de ida foi incrível. Nós saímos do aeroporto de Zurique perto das 13h em um voo direto de 12 horas até o aeroporto de Narita. Não foi a primeira, nem a segunda vez, que eu viajei pelo aeroporto de Zurique, mas acho que só agora eu reparei como ele é incrível, acho que o melhor aeroporto que eu já passei. O embarque foi tranqüilíssimo, sem filas, sem stress; o voo foi tranquilo, a seleção de filmes era ótima, os comissários eram super simpáticos, a comida era boa… enfim, foi um ótimo voo. A questão é que o fuso horário comeu 7 horas do nosso dia, que seriam exatamente as 7 horas que a gente devia dormir! A gente até tenta dormir no avião, mas é complicado né, o máximo que se consegue é uns cochilos tensos.

A volta não foi assim tão maravilhosa – ou a gente que já tava muito de saco cheio mesmo. Mas num geral a experiência de um voo longo com a Swiss foi super bacana e recomendamos muito.

aviao

A Imigração

A passagem pela imigração foi tranquilíssima. Durante o voo nós recebemos dois formulários simples pra preencher e entregamos 1 pro oficial da imigração e outro pra alfândega. Sem pergunta nenhuma, indicadores na maquininha e foto, tudo muito rápido. Mas vale lembrar que tem que juntar documentos, fazer programação e comprovar várias coisas pra conseguir o visto pro Japão, então era de se esperar que as coisas lá fossem bem ágeis.

O Japan Rail Pass e o metrô

Depois de pegar nossa mala nós fomos trocar nosso JR Pass no aeroporto Narita mesmo. Quando você compra o JR Pass (só vende fora do Japão!) você ganha só um comprovante de pagamento, que deve ser trocado pelo passe quando você chega no Japão. A troca foi tranquila e as atendentes já te dão várias informações e te auxiliam, se necessário.

Com o passe em mãos, nós pegamos o Narita Express até Shinagawa, onde trocamos pelo Shinkansen para Osaka. Nos dois casos nós tínhamos assentos marcados porque a moça da troca do JR já fez as reservas para nós. Vale citar que com o JR Pass você não consegue liberar catracas pra entrar nas estações, então tem que mostrar pros policiais (sempre tem uma cabine) e eles liberam a passagem.

Nos dias seguintes nós seguimos usando o passe, sempre procurando nas estações pelo sinal do JR (é moleza). Andamos de Shinkansen mais algumas vezes e não reservamos assentos, mas tínhamos sempre o cuidado de procurar os carros de assentos não reservados (os primeiros, quase sempre). E vale ressaltar que o JR Pass não dá direito a usar todos os Shinkansen: nós usamos sempre o Hikari e o Sakura Superexpress e foi tudo beleza.

O metrô não está incluso no Japan Rail Pass, então quando achávamos que era mais prático/rápido, nós comprávamos passes de metrô individuais. O segredo é verificar no mapa das estações, acima das máquinas de bilhetes, qual o valor indicado na parada que você quer descer – aí é só comprar um bilhete naquele valor (e guardar o bilhete, porque precisa dele pra sair da estação).

Usamos bastante o JR Pass dentro das cidades mas, em alguns casos, o metrô era essencial – então é sempre bom reservar um pouquinho mais de dinheiro pro transporte. Num geral eu não achei o transporte por lá de todo prático, mas vou explicar. Achei que todas as viagens exigiam muitas trocas, seja de JR ou metrô, e algumas estações eram tão enormes que parecia mais rápido e prático subir e ir a pé pro destino do que ficar fazendo baldeações.

Transporte para o Aeroporto Narita

Na hora de voltar pro Narita nós já não tínhamos mais o JR Pass. Então resolvemos não usar o Narita Express, que é um serviço bem carinho e exige reserva de assento (um total de quase 3000 ienes por passagem). Nós fomos até o aeroporto de ônibus, numa linha que sai da Tokyo Station e custa só 1000 ienes por pessoa. O terminal de ônibus fica do lado Yaesu e é só chegar lá, entrar na fila e embarcar (paga na hora, pro motorista mesmo). Nós pegamos o ônibus as 6h25 da manhã e foi tranquilíssimo, mas não faço ideia se a linha lota em algum momento do dia… A viagem até o Narita dura cerca de 1h20, o que é um tempo bem bonzinho, dado que o Narita Express leva cerca de 1 hora pra fazer o mesmo trajeto.

Dinheiro

Na chegada passamos um pequeno perrengue pra conseguir trocar dinheiro porque nenhuma máquina ATM estava aceitando nossos cartões. Então “seje” esperto e leve um pouquinho de ienes. Nós usamos o dinheiro para pagar restaurantes, comprinhas nos kombinis, metrô e coisinhas simples… E para as eventuais compras de valor mais alto, usamos cartão sem problemas.

Idioma

Praticamente ninguém fala inglês por lá. Mas isso não é um empecilho, pois as pessoas são super solícitas e dão um jeitinho de ajudar sempre. Existem placas e sinalizações em inglês, nem sempre são assim super vísiveis, mas nada que um olhar mais atento não encontre. E quanto as compras, eu procurei pesquisar antes e chegar lá já sabendo o que eu queria e como identificar as coisas, então não precisei passar pelo sufoco de pedir ajuda… para as comidas, vale procurar por restaurantes com cardápios em inglês ou então apontar pras coisas mesmo, já que alguns deles tem modelinhos de plástico dos pratos (mas correndo o risco de comer tripa!).

Clima

Um calor do mármore do inferno com bastante umidade resultando em muita pegajosidade e malemolência. Ar condicionado super potente nos ambientes fechados recriando um ambiente de montanha. Em outra palavras, nada agradável.

Hotéis

Em Osaka ficamos hospedados no hotel Keihan Tenmabashi, pertinho da estação de metrô Tenmabashi e super pertinho do Castelo de Osaka. O quarto era mini (ou minty room, no engrish da atendente), mas mini mesmo. Com uma mala pequena e uma mala média nós já não conseguíamos abrir toda a porta do quarto. Tirando esse fato e todas as manobras necessárias, o hotel era bem bacana e nós tivemos uma experiência bem agradável lá.

Em Tóquio nós ficamos no hotel Sotetsu Fresa Inn Nihombashi-Kayabacho, pertinho da estação de Kayabacho e a uma caminhadinha da estação central de Tóquio. Nesse hotel o quarto já não era tão mini assim, mas a experiência num geral não agradou. O quarto era muito quente e abafado (29º se não ligar o ar, mas um vento frio danado se ligar), e acabamos dormindo muito mal.

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Privadas malucas!

Alimentação

Num geral a gente comeu super bem nesses 9 dias e não teve nenhum tipo de experiência desagradável ou demasiado exótica*. Nós experimentamos udon, ramen, kare, takoyaki, yakissoba… e mais uma infinidade de espetinhos e friturinhas que eu não faço ideia do nome. E também aproveitamos pra comer sushi como se não houvesse amanhã! Escolhíamos sempre os “sushi de esteira” pra comer sem frescura e sem susto na hora da conta. Pra ser bem sinceros, nossas melhores experiências gastronômicas aconteceram quando a gente viu um restaurante, curtiu o cardápio e resolveu entrar, na sorte mesmo. Todas as vezes que seguimos indicações de restaurantes/pratos de outras pessoas nós achamos furada.

*Sorvete de chá verde é terrível. Tem gosto de chá verde com pamonha.

comida

Compras

As pessoas costumam falar que o Japão é um país muito caro. Mas, meu amigo, eu moro na Suíça então um país tem que ser beeem caro pra conseguir me impressionar. Não achamos o país mais barato de se conhecer, mas conseguimos passear, comer bem e se divertir por lá sem ir a falência. Num geral, achei que ficou no meio do caminho: várias coisas mais baratas que na Suíça e várias coisas mais caras. Acho que não é um país pra pirar nas compras mas não significa que você não vai conseguir comprar nadinha. Eu comprei vários cosméticos com preços muito bons (fiz estoque pra vida) e comprei roupinhas na Uniqlo (unikuro) com um preço igualmente bom.

Turismo

Como visitamos um país, e não só uma cidade, fica um pouco difícil resumir o “turismo”. Mas tentando, nós achamos que tem muitas coisas interessantes pra ver (demais, eu diria) e o valor das atrações turísticas é bem ok. Nenhuma atração paga teve um preço acima do normal/esperado, então não consideramos um turismo caro (consideramos “padrão” o preço médio das atrações na Europa). As atrações estão bem sinalizadas, conseguimos várias informações em inglês e nossa única “queixa” é que as atrações fecham super cedo, as 17h.

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Castelo de Himeji

E no geral?

Bom, o Japão é um país incrível e cheio de paisagens, experiências e sensações nunca dantes conhecidas. Nós passamos 9 dias incríveis, de muito aprendizado e diversão, mas que também foram dias muito sofridos. Com o calor e o ar condicionado potente, não deu outra, adoeci no terceiro dia. Então além da moleza, da sensação pegajosa, rolou também dor de garganta, muita tosse, alergias mil… O Henrique foi um pouco mais forte, mas também acabou adoecendo.

Num geral, a primeira parte da viagem foi incrível e deixou muita vontade de continuar por lá, de voltar e de explorar muito mais (mesmo com o calor). Já Tóquio foi um pouco diferente, foi uma experiência intensa. É muita gente, muito barulho, muita luz, muito grito, muito calor… tudo é demais. De certa forma me lembrou um pouco Nova York: uma cidade de exageros. Não vou mentir pra vocês que no último dia nós já estávamos de saco cheio de Tóquio, um pouco sobrecarregados de tudo isso e desejando demais retornar pra nossa vidinha tranquila, no nosso bairro tranquilo, com temperaturas amenas e sem tantos estímulos… ahuahuahah

No final das contas a vontade de voltar já era tanta que o Henrique estava tendo pesadelos com aquelas pessoas que ficam gritando na frente das lojas!

*Deu pra perceber que gostamos muita mais de Osaka né? Mas vou falar mais disso num post sobre a nossa programação… Até mais!

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