Vida doméstica: lavando roupas

A vida é a vida em qualquer lugar (adoro essa frase). E como não estamos aqui a passeio, é preciso se virar com a comida, com a limpeza, com as roupas, com o descarte do lixo (como já comentei aqui). Hoje vou comentar como funciona a parte de “lavar roupas”.

máquina

Na Suíça, a maioria das pessoas aluga sua moradia por intermédio das gérances (imobiliárias). A grande maioria dos apartamentos não tem área de serviço. Nesses casos, os prédios possuem uma lavanderia que é compartilhada por todos os moradores.

Apesar de achar que o principal motivo seja a economia de espaço nos apartamentos, a lavanderia comum vai de encontro a uma tendência de compartilhamento, onde as pessoas não procuram pela posse, e sim pelo uso. Afinal de contas, você não quer ter uma máquina, o que você quer são roupas limpas.

Assim, a lavanderia comum também contribui com a questão ambiental. Vamos imaginar um prédio com 20 famílias: ao invés de termos 20 máquinas sub-utilizadas, temos 20 famílias utilizando uma única máquina em todo o seu potencial. Nessa conta não entra só a economia das famílias, que podem dividir o custo de 1 única máquina por 20, mas entra principalmente a economia de matéria prima, energia e transporte (dentre outros) para a fabricação e a entrega das outras 19 máquinas (leitura básica sobre a Revolução do Compartilhamento).

Onde eu vivo agora a lavanderia fica no andar térreo, junto com a garagem e o depósito do prédio. Tem um tanque, uma máquina de lavar, uma secadora, e um cantinho com varais e uma máquina de vento (!).

O funcionamento é bem simples: existe um calendário, que fica na lavanderia mesmo, onde a gente marca os dias e horários que a gente quer usar. A lavanderia pode ser usada todos os dias, das 7h até à 1h da manhã (isso porque o barulho não atrapalha ninguém) . É claro que o bom funcionamento desse esquema todo depende muito do bom-senso e da educação dos moradores.

Existem prédios onde o uso da lavanderia não está atrelado a nenhum custo – é só agendar e usar. Onde morávamos antes era assim, e era um saco: alguns vizinhos simplesmente não conseguiam respeitar os horários marcados pra utilização da lavanderia e, muito menos, otimizar a utilização. E como tudo era gratuito, eles não viam problemas em desperdiçar 1 hora de água e energia por causa de 1 única toalha de rosto. Sem falar nos problemas para secar, porque as pessoas não entendiam que se existem 2 turnos de lavagem por dia é preciso dividir a área de secagem igualmente em 2 (lá não tem secadora). Um dia encontramos nossas roupas todas amontoadas num canto, ainda molhadas, porque alguém muito educado resolveu lavar 25 quilos de roupas numa tarde e precisava do nosso espaço pra estender…

Onde moramos agora é preciso comprar um cartão com o concierge (é mais ou menos como se fosse o síndico) para conseguir usar a máquina e a secadora. O valor é bem baixo, gastamos cerca de 8 francos por mês pra lavar toda a nossa roupa. Eu diria que esse valor é quase simbólico, e eu penso que ele existe mais pra conscientizar as pessoas com relação ao uso do que pra cobrir os gastos da utilização. E posso dizer: aqui as pessoas são muito mais educadas e responsáveis na hora de utilizar a máquina. Afinal de contas, se você paga pra usar você não vai querer gastar pra lavar só 1 toalha, você vai esperar acumular mais coisas pra fazer valer o dinheiro gasto (claro que nesse caso também existe o exagerado: aquele que lava a roupa toda do mês em 1 única lavagem pra economizar).

meias

Eu acho a ideia de compartilhamento sensacional, e é fácil se organizar e agendar a utilização. Eu só acho uma pena que uma ideia tão bacana como essa ainda esbarre na falta de respeito de algumas pessoas – como no prédio onde vivíamos antes. Procurando na internet, a gente encontra vários relatos de pessoas que compartilham lavanderias aqui na Suíça e tem problemas com vizinhos sem noção – onde há pessoas há problemas (outra das minhas frases favoritas). É uma pena também que seja preciso introduzir o fator “dor no bolso” pra que as pessoas sejam mais educadas.

Outra questão é relacionada ao compartilhamento da máquina é a higiene. Para alguns pode soar estranho lavar a sua roupa no mesmo lugar que todos os seus vizinhos lavam (principalmente se você passou uma vida inteira tendo uma máquina só sua). Eu procuro confiar que para que as roupas saiam limpas é preciso que no final de cada processo a máquina também esteja limpa (caso contrário ela não entregaria roupas limpas). Além do mais, nunca encontramos sujeira na máquina (li um relato de uma pessoa que encontrou areia na máquina de lavar do seu prédio) então o negócio é confiar no poder do sabão! ***

Vale ressaltar também que na lavanderia compartilhada as roupas secam em um lugar onde todos os moradores tem acesso. Qualquer um pode pegar as roupas, mas isso nunca aconteceu conosco (nem aqui nem no outro apartamento) e nós realmente não nos preocupamos com isso. Mas como diria minha amiga Amanda: é bom ficar de olho, vai que alguém pega uma cueca pra fazer simpatia =P

*** e acreditar que se fosse anti-higienico, Dr. Sheldon Cooper não lavaria suas roupas na lavanderia compartilhada – não resisti a piadinha.

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